quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Nota sobre o boicote e a censura de hoje

Às mentes frívolas que denunciaram um vídeo meu e ao burlesco Facebook, que as acatou respectivamente, não conseguirei olvidá-los por hoje, ainda que vocês sequer saibam a acepção desse verbo. Aliás, de igual modo é impossível concordar com vocês, haja vista que a concordância, considerando a mensagem que recebi da empresa, é ponto outro lânguido na mente da direção da marca.
Exórdios à parte, simpliciter quero me pronunciar como alguém que não faz o que faz por diploma. Diferentemente dos professores que tiraram meu vídeo do ar, ou melhor, dos palúrdios que estão por soltar barritos, por sua vez travestidos de docentes, tive, à base de muito esforço e de muita sabedoria, todas as teses que corrigi em minha vida aprovadas, todos os alunos, pelos menos os que levaram meu ensinamento até o final, aprovados. Corrigi vários livros com êxito, tenho também uma produção de conteúdo etimológico descomunal via Youtube.
Fora tudo isso, corrigi teses no Português de Portugal, em breve serei revisor também em Espanhol, estou elaborando um dicionário etimológico que ninguém no Brasil, ainda mais com tímidos 29 anos, idade essa que dei início ao projeto, tem condição, sem contar minha contribuição para um dicionário de Portugal. Tornei-me pós-graduado com 25 anos, poucos podem dizer isso no Brasil. Enfim, reporto que é sine qua non que não escrevo buscando o respeito da classe de docentes, tampouco espero que o comportamento dos senhores mude. Articulei essas palavras para ressaltar tão-somente o meu desejo de que continuem, que apaguem outros vídeos meus. Agora, o que vocês nunca poderão apagar é a minha história. E isso vocês não são dignos de ter.

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

O fanatismo à guisa da Argentina


O óbito de Maradona, a pari com os de Carlos Gardel e de Eva Perón, aclara o âmago nacionalista presente no povo argentino, que trata seus nomes a título de deuses, conquanto isso lhe traga deteriorações infindáveis. Por exemplo, citá-lo-emos Che Guevara, um argentino psicopata, autor de brutalidades de toda ordem, declaradas por seus próprios ex-companheiros de batalha, que podem ser assistidas por sua vez no documentário "Anatomia de um mito".

Pelo fato de ele ser argentino e famoso, suas perseguições e seus crimes, apresentados com elevada solércia e glamourização por setores relevantes, a aludir, por exemplo, a classe artística, são mais do que justificados, afinal, ele é argentino. Se Maradona e Eva são deuses, Che Guevara, tatuado no braço do primeiro, e Juan Domingo Perón, ex-presidente e marido de Eva, serão amiúde vistos como referências, pois os deuses não se equivocam em suas escolhas.

Destarte, é sine qua non reportarmos que esse comportamento, caracterizado por uma ovação pueril, inconteste, catingosa e estulta, explica o porquê da insistência por escolhas políticas infelizes, acarretando a exacerbação cada vez mais nítida da fome no país. Em outros termos, o argentino é acentuado pelo nacionalismo fanático e pela pesporrência incólume, que faz viva naquele que é incapaz de rever e de aprender com seus erros.

Nesse sentido, o gol de mão de Maradona, à frente daquele cujo jogador dribla toda a Inglaterra, demonstra que a malandragem, à similitude do que acontece no Brasil macunaímico, foi, indubitavelmente, a consolidação do "tudo em nome da causa". A bem da lógica, Lionel Messi, em todos os números e perspectivas, vence Maradona de longe; sendo, a saber, melhor do que Diego. Entrementes, ser melhor não implica ser maior, e é esse o ponto-chave da conversa.

Por fim, mesmo depois de decênios da morte de Gardel, os argentinos dizem que ele canta, todas as manhãs, cada vez melhor. Portanto, remontar Deus na figura de um homem tem lá seus malefícios para o próprio homem, de modo que as drogas e a bebida podem ser mencionadas no caso de Diego. Todavia, se a nação trabalha para que o mérito e o talento sejam religiões acima de tudo, ela não cresce, não progride e vive a repetir as suas deploráveis certezas, posto que Deus é intocável. É como dizia o Borges, célebre escritor e outro argentino, "a dúvida é um dos nomes da inteligência". Grosso modo, com seus diversos senões e suas nimiedades ínfimas, Maradona era um talento. Deus, na melhor das hipóteses, só pode ser comparado a santos; caso, exempli gratia, de João Paulo II. Fim!

Daniel Muzitano

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Antitabagismo, o elemento ditatorial

Como sói ocorrer antes do proferimento de qualquer texto, refleti se valeria a pena abordar o assunto em questão, sem imergir em polidas tergiversações. Em instância primeva, não fumo e não tenho a menor vontade de cometer tal despautério, embora recomende, como Nelson Rodrigues, que o homem deve manter ao menos um vício, sobretudo num lugar como o Rio de Janeiro, repleto por sua vez de um sem-número de imbecis.

Assim exposto, o antitabagismo começa com o fim das propagandas de cigarro e com os anúncios dos males do tabaco em suas respectivas embalagens. Mutatis mutandis, o enredo passa para a determinação de uma área especial para não fumantes, trafega pela proibição do fumo em ambientes dos mais diversos e termina com o aumento triplicado dos planos de saúde àqueles que têm esse vício. Fossem efetuadas todas essas ações de uma só vez, indubitavelmente a sociedade perceberia como uma imposição, algo ditatorial, certo?

Dentre muitos, o cigarro foi o elemento selecionado, a fim de que contivesse o apoio moral e cego da direita, diga-se, principalmente da igreja, para uma tentativa de imposição em outros setores. O homossexualismo, por exemplo, não mais é hoje, como era originariamente, uma opção sexual. Hodiernamente, é uma bandeira política, uma forma até mesmo de ascensão profissional; ou ninguém sobe na vida alegando que perdeu um emprego por ser gay?

Nesse sentido, o racismo, o feminismo, a arte, a educação: tudo, outrossim ao antitabagismo, foi posto em prática aos poucos, atendendo aos anseios da esquerda mundial. Por corolário, chega-se agora à liberdade de expressão, ou não temos medo de perder emprego, amigos, até mesmo uma relação amorosa ou algo afim, por aquilo que opinamos nas redes? A origem do plano, estou chegando ao fim, é nada menos do que "No caminho", texto do suicida Maiakovski, sujeito que se matou depois de descobrir que defendeu um regime sanguinário a vida inteira, isto é, o comunismo.

In terminis, pode alguém perguntar: mas e a questão da saúde? Pois bem, o tráfico de cigarros aumentou, e isso gera sempre mais mortes, e os filmes, patrocinados mais das vezes pelo governo mundial de esquerda, que é quem em tese pregou a "saúde", seguiram fazendo propagandas indiretas ao vício; ou o Dicaprio fumando em um filme não é um estímulo? Porém, pela ação ditatorial, você, joão-ninguém, só pode fumar em casa. Aliás, que tal o "fique em casa"? Que os processos comecem!

Daniel Muzitano

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

No faz-de-conta do Novo Acordo

Malgrado eu vitupere praticamente sozinho as necedades afora do Novo Acordo, meu intento outro é sempre o da opulência vocabular. Percebida por mim neste hoje, a ação mentecapta produzida pelos adeptos da Nova Reforma, adjetivada por qualquer alma lógica como um tremendo quiproquó, está na falta de hífen quanto à expressão faz-de-conta, pelo menos quando a dita-cuja faz as vezes de fantasia, imaginação, fingimento e similitudes afins.

No faz-de-conta do Novo Acordo, entendam como fingimento ou mesmo como fantasia, não há o sinal gráfico. O hífen, embora os "doutos" não saibam, pretende extirpar ambiguidades e/ou formar um novo corpo, um novo sentido, por meio de dois ou de mais vocábulos. Não à toa, na construção "faz de conta que isso existe", a saber, é insofismável a sua noção literal, ou seja, o hífen é dispensável. Porém, no preâmbulo desse parágrafo, a situação é outra, pois, como asseverei, existe um novo sentido presente. Em suma, houve a eliminação de ambiguidade, e, incorporada a roupagem de fingimento, por exemplo, há outrossim a criação de um corpo no chamado faz-de-conta.

Por fim, será que é tão difícil para a Academia enxergar isso? Chega a ser um desdouro intelectual essa cegueira abrupta, isso para ser muito respeitoso, posto que hoje acordei com certa alacridade. Esse Acordo, é preciso que alguém diga, foi feito para fins políticos, caracterizado por seu turno como uma norma absolutamente analfabeta, execrável, digna de lamúria e de reproche por assim dizer.

Daniel Muzitano

domingo, 19 de julho de 2020

O pascácio conceito de cultura

Malgrado o fato de eu compreender a cultura como um processo quase que onímodo, preservando evidentemente a moral e o bom vezo, nossa Constituição não a vê nesse viés, haja vista que determina como cultura qualquer expressão do modo de vida do brasileiro. Assim, ante esse nacionalismo néscio, tem-se o funk como uma expressão do modo de vida do povo brasileiro, isto é, como cultura, ao passo que um Chopin, não enquadrado nesse título, passou a ser ignorado e tratado como algo de somenos, irrelevante por assim dizer.
Exposto o cenário, Ernesto Nazareth e João Pernambuco, dois gênios de classe sem igual, apesar de brasileiros, não constituem em sua obra um modo de expressão nacional, e, portanto, são igualmente apagados enquanto referência. Por outro lado, o Rappa e o Marcelo D2, por pior que ela seja, configuram uma expressão do povo brasileiro; estando à frente, em nossa Constituição, por exemplo, do Raphael Rabello.
In terminis, nossa lastimável Constituição legifera, mais das vezes, a favor da banalidade artística nacional, em prol de qualquer alma que revele qualquer ponto do Brasil. Eis aí um dos muitos porquês de estarmos imersos na podridão hodierna. É claro que o Noel Rosa e o Cartola, e muitos outros nomes relevantes, estão dentro de nossa lei cultural, porém é igualmente notório que o conceito é pascácio, pois tanto um quanto o outro são muito maiores do que "uma manifestação da expressão nacional". Em suma, até o que é muito bom e preservado nos anais da história, a saber, fica diminuído e ridicularizado. O conceito é torpe. Precisamos da alta cultura.
Daniel Muzitano

sexta-feira, 3 de julho de 2020

O crime impretérito

Empós de respostas não tão alongadas, e não haverá evidentemente consensus omnium em tal questão, ousá-lo-ei questionar se estamos por vivenciar a era do crime de pensamento, citado de modo iniludível e erudito por George Orwell, respectivamente na obra de 1984. Caros, amiúde tenho que pensar se posto ou não um conteúdo, se falo um não de certo tema, o que posso perder ou não com uma simples postagem: tudo hoje é vigiado, passível de insultos e de perdas.
Desse modo, pensar é crime imperioso, provavelmente com punição imprescritível e inafiançável. Ontem, paulatinamente, ao longo do dia, estava decidido: farei um post sobre os personagens de Bolaños. Hoje, imaginando as críticas, provavelmente vão politizar o vídeo, tecer insultos, e, o que é mais lamentável, vão indubitavelmente rejeitar as referências filosóficas aludidas e o que o Bolaños tinha a nos oferecer. Em nome da promoção vitimista, deu-se no país uma ignorância, a fabricação de pessoas politicamente taradas; enxergando, com total esforço, política ou ato racista até em rótulos de shampoo.
Dado o exposto, como posso arriscar uma pauta? Que segurança tenho de que não perderei profissionalmente? Dependendo de suas orientações e valores, que conclusão outra posso chegar, senão a de que pensar é crime impretérito...? E paremos por aí, pois os mais revoltados já estão por reclamar.
Daniel Muzitano

Nota e esclarecimento sobre o vídeo que fiz envolvendo o "combate" ao racismo

Publiquei um vídeo esta semana sobre o que, a pretexto de um suposto combate ao racismo, estão fazendo com a arte e com certos estudos. Dessa forma, procurei ser respeitoso, civilizado, porém, ainda sim, poucos foram os que entenderam, de maneira que a consequência foi o recebimento de uma produção de insultos; todos devidamente deletados.
Embora eu tenha recebido alguns elogios e algumas críticas legais, é de lamentar o nível civilizatório e intelectual da maioria, aquela que precisamente me vituperou como bem é sabido. Tenho consciência de que o tema é delicado, tentei ser circunspecto ao máximo, porém infelizmente a grande maioria não possui o mínimo dos pré-requisitos para um debate sadio. Dentre os erros, vi gente confundindo etimologia com significado, escrevendo etimologia com "t" mudo, talvez, se me permitem a piada, por influência da palavra etnocentrismo, e outros detalhes mais.
Em suma, devido ao analfabetismo funcional de diversos professores e à incapacidade de muitos na averiguação diacrônica da língua, faz-se impossível a abordagem de um tema mais complexo, cuja presença de holofotes é gritante. Dito isso, evitarei perambular por pautas mais amplas, haja vista que voltarei a me limitar à divulgação dos étimos dos vocábulos. Às vezes, por pura bondade e ingenuidade, tenho a esperança de que serei compreendido. Que erro!
Daniel Muzitano

terça-feira, 26 de maio de 2020

A culpa é do café vespertino

O latim mutatis mutandis, que pode pormenorizar o que ocorre com o vocábulo sucesso no espanhol e no português, diz-se de dois fatos que, com pequena alteração das circunstâncias, são notoriamente iguais. De antemão, a explicação será transitória, todavia com demasiado fulgor.
Visto no português como um "resultado positivo" por boa parte dos brasileiros, o sucesso, grafado na Espanha com um "s", designa tão-somente um acontecimento, mais das vezes de cunho ruim. Entrementes, levando em conta seus direcionamentos divergentes, ambos partiram da mesma lógica, a de algo que se sucedeu, que aconteceu.
Assim, promulga a Real Academia Espanhola: "Cosa que sucede, especialmente cuando es de alguna importancia". Ao mesmo encontro, ressalta o Priberam: "Aquilo que sucede, que acontece". Resumindo, deparei-me com o sucesso na aula de espanhol, comparei as evoluções e, por fim, usei a expressão mutatis mutandis para apontar a relação. Definitivamente, aos olhos do mundo, não sou um homem normal. Porém, a culpa é do café vespertino.
Daniel Muzitano



segunda-feira, 20 de abril de 2020

O farisaísmo dos sócios da quarentena

Pretexto por agora de ociosos tantos, a quarentena, em seu propósito inicial, bem continha o discurso piegas de que preservava a vida e o bem-estar da população. Eis senão quando, hoje bem a vejo que muitos a tratam como um sinônimo parvo de férias, uma espécie de seguro-desemprego absolutamente descabido, e que muito me deixa espaventado e exasperado.
De mais a mais, o suposto bem-estar e a suposta preservação da saúde, considerando notícias de bancarrota de grandes empresas, demissões em massa, desculpa para soltar bandidos etc, não mais são lógicos. Não por acaso, o latim tem a expressão lata culpa, que remonta à acepção de negligência excessiva, por sua vez solevantando que a irresponsabilidade dos sócios da quarentena será nitidamente cara.
Por fim, no transitar dos tempos, di-lo-ei que achei meu propósito de vida, portanto, as correções, as transcrições, as aulas: quefazeres que hoje, devido à realidade produzida pelos sócios do terror, não mais fazem parte do meu vezo. Em suma, antes alguns mortos de corona a todos de fome. Com isso, precisamos trabalhar e enfim mostrar a indignação aos falsários de plantão.
Daniel Muzitano

quarta-feira, 18 de março de 2020

Vamos propalar cultura?

Exaurido das palurdices atinentes ao coronavírus e propagadas pelos pseudointelectuais redes sociais afora, resolvi não mais discutir solecismos acerca do tema, bem como qualquer argumento non sequitur, de maneira que a etimologia, pelo menos a meu ver, é um assunto mais importante e mais interessante.
Nesse sentido, estive a rememorar o étimo do verbo pagar. Assim, pelo consenso de todos, ou omnium consensu, pagar nasce da palavra latina pacare, ou seja, apaziguar. Com isso, inicialmente, no momento em que o sujeito pagava, abrandava por sua vez a fúria do credor.
Demais disso, um termo outro que adquiriu uma evolução pouco trivial foi o substantivo palestra, do grego palaístra, qual seja, lugar onde eram realizados exercícios físicos, lutas, instruções verbais e embate de ideias; daí, logo, a acepção de conferência sobre determinado assunto. Em vez de dramas infantis, vamos propalar cultura.
Daniel Muzitano

sexta-feira, 13 de março de 2020

Acordo de somenos


Ainda que eu já tenha enfatizado o meu amplo contempto pelo Novo Acordo, sempre que ouço ou leio a expressão pai dos burros, estua em mim uma espécie de crítica interna, de maneira que me sinto no dever de proliferar meu extremo descontentamento. Antes de vir à tona o abjeto Acordo e de ele estiolar a nossa alma, havia uma distinção entre pai dos burros, literalmente pai dos burros, e o pai-dos-burros devidamente hifenizado, fazendo as vezes de dicionário. Conseguintemente, não havia qualquer possibilidade de ambiguidade em construções quaisquer.

De mais a mais, nota-se que os "sábios" da nova regra rejeitaram, impreterivelmente, as funções primordiais do hífen, isto é, extirpar ambiguidades e/ou produzir um novo sentido, um novo corpo, mediante dois ou mais termos. Para tanto, vale lembrar de que hífen deriva do grego hýphen, logo, um só corpo. Com isso, a fim de esmiuçarmos a necedade do novo texto, cujo pai é o falecido Antônio Houaiss, vamos a um exemplo: "o pai dos burros faleceu".  

Refiro-me ipsis litteris (literalmente) ao pai dos burros ou ao dicionário? Graças ao Novo Acordo, pois bem, não conseguimos ter essa ciência. Em síntese, batizo o Novo Acordo, sem ter o intento da crítica gratuita, de delirium tremens, expressão de origem latina e que é compreendida como delírio de um alcoólatra. Delírio de um alcoólatra é uma belíssima anadiplose para findarmos esse texto heroico; palavra, logo, que deixou de ter importância, afinal, também graças ao Novo Acordo, perdeu sua vida, seu respectivo acento. Hasta pronto

Daniel Muzitano  

quarta-feira, 4 de março de 2020

Por que ninguém comenta sobre Queísmo e Dequeísmo?

Conquanto se façam presentes cotidianamente na linguagem popular, há um lapso iniludível dos vocábulos citados nesse título, sobretudo em conjunturas acadêmicas, de modo que estudiosos da área de Letras não exortam a investigação das práticas de queísmo e de dequeísmo. Nesse comenos, vale propalar que tão-somente o Michaelis e o Volp, em relação aos dicionários on-line, promulgam os respectivos substantivos cá aludidos.
Dessa forma, consoante o Michaelis, queísmo seria a "omissão da preposição "de" antes da conjunção subordinativa integrante "que", quando, pela regência do verbo, na linguagem padrão, ela é exigida". Assim, não é incomum ouvirmos na rua, por exemplo, que "fulana gosta que fale dele". Grosso modo, quem gosta, gosta de, isto é, o apropriado seria dizer "fulana gosta de que fale dele".
A bem da lógica, o queísmo é o equívoco regencial que enfatiza o "que" e rejeita o "de", embora a preposição seja solicitada pelo verbo. Quanto ao dequeísmo, também de acordo com o Michaelis, é classificado como "emprego da preposição "de", sem função sintática e dispensável, antes da conjunção "que", em determinadas orações.
Pari passu, seria como dizer algo do tipo "percebo de que fiz isso". Em suma, eu não percebo de algo, e sim algo. Em outras palavras, o dequeísmo é um solecismo regencial que dá ênfase ao "de", ainda que o verbo não o peça. Fôssemos um país decente, queísmo e dequeísmo estariam em nossa base curricular. Porém, na cabeça de alguns, o barato é o culto às necedades do Novo Acordo. Eu faço a minha parte. Uma boa-noite a todos.
Daniel Muzitano

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Dois elementos que postergam a evolução do país

Em meio a atividades tantas, ontem estive por refletir acerca do número onímodo de músicas nacionais que romanceiam, por exemplo, as favelas e suas condições demasiado deterioradas. Motu proprio, de há muito gêneros de toda sorte constroem, num local com tiroteios, sexo banalizado, drogas, falta de saneamento básico etc, uma beleza fantasmagórica, o que faz com que achemos normal um sujeito viver nessas condições, ou seja, à míngua.
Dado o exposto, a falta de referência é o grande algoz, de modo que, por conseguinte, o ódio ao lucro, o amor à pobreza e o orgulho de viver numa debacle, a saber, são raciocínios sine quibus non e inerentes à mentalidade do pobre. Em suma, ninguém deveria morar em condições insalubres, bem como ter orgulho desse tipo de situação. Entretanto, nossas músicas estimulam esse comportamento nocivo de nossa sociedade.
Pari passu, outro ponto-chave é a infantilidade da população em idade adulta, mais das vezes decorrente do excesso de responsabilidades na fase infantil, da falta de bons pais ou do local onde mora, posto que a favela não é um ambiente favorável para se ter infância. Assim, todos nós, independentemente de nossa educação, precisamos ter infância quando crianças. Do contrário, estaremos por vivenciá-la no período errado. Grosso modo, muitos pais, fingindo dar atenção aos filhos, mostram sua fase pueril, sobretudo quando brincam com os respectivos, nas fotos postadas com as crianças ou no tempo excessivo em que se dedicam a brincar com eles, com o perdão da silepse.
In verbis, presenciamos também pessoas muito emotivas, quase sempre excessivamente cobradas quando crianças, vivenciando esse estágio mais tarde. Desse modo, o que podemos esperar de um país que forma adultos infantis e que tem, como referencial e trilha sonora daquilo que é belo, a favela, por exemplo? Creio que o não vivenciamento da infância nada traz, senão angústias, o que acarreta drogados, pessoas que banalizam sua vida sexual, analfabetos funcionais etc. Vale a reflexão.
Daniel Muzitano

domingo, 19 de janeiro de 2020

A arrogância no duplipensamento de Orwell (sobre a minha suposta altivez)

Lato sensu, pelo fato de eu demonstrar um conhecimento cultural acima da média, sobretudo no que tange à etimologia, amiúde sou rotulado de arrogante, e não tão-somente pela arraia-miúda. Assim, propositadamente ou não, o brio, a autoconfiança e o amor à profissão, mais das vezes, são aspectos confundidos com a dita pesporrência.
Ipso facto, bem vejo a arrogância, tal como ocorre com o discurso de ódio, sendo utilizada de forma ambígua, e, dependendo de quem a usa, com caráter positivo ou não, casando-se com aquilo que Orwell denomina de duplipensamento. Portanto, se duas pessoas dizem que são as melhores naquilo que se propõem, aquela que faz parte do grupo que detém o poder é vista como séria e segura. A que não faz, como alguém que carece de humildade.
Demais disso, vejo o duplipensamento como algo consolidado no diálogo nacional, ainda que o artifício esteja mais acentuado em alguns vocábulos, tendo para tanto as chamadas palavras-chave. De mais a mais, o latim arrogante vem de arrogare, termo que faz as vezes de atribuir. Desse modo, a lógica de atribuir refere-se ao fato de que existe a autoatribuição de características positivas por parte das pessoas; explicação, logo, que faz com que a claque falsária determine ou não o que é ser arrogante, conquanto haja contradições no apontamento.
Por fim, pesquisas apontam que cerca de 80% da população não passa de dois livros num ano, e, por conseguinte, não tem condições intelectuais de debater comigo acerca de diversos temas. E isso é puramente um fato. Entretanto, por se tratar de Daniel Muzitano, passa a ser arrogância. Bom domingo a todos.
Daniel Muzitano

sábado, 4 de janeiro de 2020

Ignorar o passado

Especificamente no imaginário cultural brasileiro, há um fito permanente de o povo aformosear a favela, com' se fosse o local uma exacerbada referência estética. Assim, em vez do conceito de um lugar com péssimas condições para se viver, sem contar as depravações culturais e morais, deposita-se com ela um ar farisaísta de "palco cultural", por sua vez refocilado na banalização da arte.
Menoscabando um pouco a Semana de 22, Marcel Duchamp e os sambas e as letras da MPB de enaltecimento para com a "graça" do morro, também responsáveis por esse teatro infindável, Ortega y Gasset dizia que selecionar é excluir, e, mais além, alcançar o grau magno de referência. Pari passu, George Orwell credita ao controle total de um povo a obliteração de seu bom passado.
Data venia, a favela não seguiu com a opulência de seu samba, atrelada sobretudo em gênios da estirpe de Cartola, por seu turno dando lugar à falta de criação nesse segmento, bem como aos gêneros do funk e do pagode. De mais a mais, ninguém imagina os nomes de João Pernambuco, de Ernesto Nazareth e de Dilermando Reis, por exemplo.
Por fim, além desse lapso referencial, foi infundido no povo o famoso duplipensamento do livro de 1984, donde se conclui que, consoante meu fim primevo, a favela pode ser bela ou feia, de maneira que a ambiguidade está sempre a serviço do plano outro da vez.
Daniel Muzitano