domingo, 21 de abril de 2019

A importância da prioridade

Na última página de A Vida Intelectual, Antonin-Gilbert Sertillanges diz: de verbis et factis secularium nullatenus te intromittas, qual seja, não te envolvas de maneira alguma com as palavras e ações dos leigos. Pari passu, povoar a solidão e limitar aos tolos o tratamento básico, humilhando-os quando preciso, é a primazia àqueles que pretendem não o cum-quibus preeminente, e sim o crescimento intelectual enquanto indivíduo.
Ao encontro do fato, far-se-á também o que Gasset esboçou, id est, selecionar é aprender, o que incute o verdadeiro modelo de ensino. Assim sendo, a locupletação referencial decorre da exclusão de coisas como o funk e a novela, por exemplo, em prol da repetição e intensidade para com a música clássica e o feitio etimológico. O senão de tudo está no imbróglio de que, devido à pérfida Semana de 22, selecionar a riqueza cultural é uma espécie de arrogância e preconceito, pois estamos acostumados a folclorizar nossos problemas.
Dado o exposto, o funk - oriundo da sigla ideológica da MPB - torna-se uma cultura privilegiada, assim como a favela e o mau-caratismo passam a ser vistos como uma moradia romanceada e um costume literário a ser seguido. Em suma, essa cultura cá exposta e da qual somos reféns, faz-nos cegos na resolução de nossos problemas; isso, a ver, para ficar apenas em exemplos poucos.
Por fim, diferentemente dos covardes professores da minha área, viso ao fato de mostrar que hoje, embora muitos menoscabem, o mais importante para o país é entendermos o cenário e a degeneração própria de nossa cultura, a fim de que possamos rompê-la de imediato, no intuito de criarmos outro imaginário. Com isso, estou ao menos tentando fazer a minha parte, pelo menos no que se refere à transmissão de uma leitura e à proposição doutra. Entretanto, vai da audácia e predisposição de cada um. Portanto, é isso.

Daniel Muzitano

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Crivella, a realidade dos fatos

Para logo, decerto é consentâneo ressaltar que houve desde o início da era Crivella, inclusive no período pré-eleitoral, uma perseguição infindável por parte da Globo, com seu comportamento diria até prepóstero, em vista de que o atual prefeito, à época candidato, além de não ser um caudatário do carnaval, bem é uma espécie de representante da Record, pelo menos aos olhos da Rede Globo; o que, recordemos, fez dele capa da Veja uma semana antes do segundo turno das eleições.
A bem dos fatos, a impopularidade de Crivella vai muito ao encontro dessa perseguição, pois incute inclusive pessoas que evitam falar de política, mas que consomem Globo News ou similitudes pútridas. Ipsis litteris, Crivella é sim um péssimo gestor, tal como um inábil comunicador. Aliás, o carioca -sendo ele opositor ou não - possui muita dificuldade para citar o que Crivella fez em seu mandato, a saber, tão-somente por esse senão na comunicação.
Demais disso, vejo exageros muitos na cobrança, uma vez que Crivella foi muito mais negligente, a saber, do que propriamente incompetente. Em suma, não teve a capacidade de destruir ainda mais a pocilga que é o Rio, coisa que o Freixo faria, e terminará seus 4 anos entregando a cidade do mesmo modo, id est, cheia de dívidas, de insegurança e demasiado depauperada culturalmente.
Por fim, se por um lado é ele pouco arguto enquanto gestor, ainda possui uma lábia política inteligente. Ao falar para a Globo, tentou surfar na popularidade do presidente da República, tal como usou da falta de credibilidade da Globo para diminuir sua impopularidade, reduzindo a emissora à indecência carnavalesca, diga-se, cativando parte do público que até ontem vinha tecendo a ele vituperações várias. In verbis, se hoje seus fiéis não estão tão fiéis, um Freixo como oposição, a perseguição da Globo ou a burrice do carioca pode sim dar a Crivella uma reeleição. No Rio, até o inviável é viável, pois somos a imunda e paupérrima capital do funk. Até.
Daniel Muzitano