sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Não seja amigo do seu filho



A contrario sensu do que supõe um sem-fim de responsáveis, deve haver manifesta dissociação entre ser pai e ser amigo. Desse modo, não se pode olvidar de que ser amigo de um filho significa estar ao par, ter valor igual com relação a ele, o que por sua vez implica uma perda irrefutável de autoridade paterna ou materna. A bem da lógica, a mãe ou o pai autodenominado de "melhor amigo do próprio filho", sem margem para qualquer dúvida, formá-lo-á um adulto sem limites, cujo principal amigo, o pai, concebe salvo-conduto a todas as irresponsabilidades e aos erros do respectivo filho.

Imposto o exposto, ninguém deve obrigatoriamente respeito a amigo, tampouco uma fulcral e irreprochável obediência. Já ao pai, seguramente. Ademais, se o pai é apenas um amigo, no momento em que contrair uma doença grave, por exemplo, indubitavelmente a chance de ser largado pelo filho será descomunal, muito maior por assim dizer, e nos tempos de hoje é comum presenciarmos essa triste cena, afinal, trata-se apenas de um amigo.

Como intento último, essa postagem visa tão-somente à melhora quanto ao amadurecimento das próximas gerações, fadadas hoje à eterna puerilidade, e muito por conta desse equivocado raciocínio dos pais, bem como a abrir os olhos daqueles que se importam com suas crias, seus rebentos. Em suma, amigo não cobra, não tem a obrigação de educar, e por isso às vezes é esquecido. Que haja harmonia e respeito na relação entre pai e filho, mas nunca o sentido envilecido de amizade. Não seja amigo do seu filho. Seja pai!

Daniel Muzitano


quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Nota sobre o boicote e a censura de hoje

Às mentes frívolas que denunciaram um vídeo meu e ao burlesco Facebook, que as acatou respectivamente, não conseguirei olvidá-los por hoje, ainda que vocês sequer saibam a acepção desse verbo. Aliás, de igual modo é impossível concordar com vocês, haja vista que a concordância, considerando a mensagem que recebi da empresa, é ponto outro lânguido na mente da direção da marca.
Exórdios à parte, simpliciter quero me pronunciar como alguém que não faz o que faz por diploma. Diferentemente dos professores que tiraram meu vídeo do ar, ou melhor, dos palúrdios que estão por soltar barritos, por sua vez travestidos de docentes, tive, à base de muito esforço e de muita sabedoria, todas as teses que corrigi em minha vida aprovadas, todos os alunos, pelos menos os que levaram meu ensinamento até o final, aprovados. Corrigi vários livros com êxito, tenho também uma produção de conteúdo etimológico descomunal via Youtube.
Fora tudo isso, corrigi teses no Português de Portugal, em breve serei revisor também em Espanhol, estou elaborando um dicionário etimológico que ninguém no Brasil, ainda mais com tímidos 29 anos, idade essa que dei início ao projeto, tem condição, sem contar minha contribuição para um dicionário de Portugal. Tornei-me pós-graduado com 25 anos, poucos podem dizer isso no Brasil. Enfim, reporto que é sine qua non que não escrevo buscando o respeito da classe de docentes, tampouco espero que o comportamento dos senhores mude. Articulei essas palavras para ressaltar tão-somente o meu desejo de que continuem, que apaguem outros vídeos meus. Agora, o que vocês nunca poderão apagar é a minha história. E isso vocês não são dignos de ter.

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

O fanatismo à guisa da Argentina


O óbito de Maradona, a pari com os de Carlos Gardel e de Eva Perón, aclara o âmago nacionalista presente no povo argentino, que trata seus nomes a título de deuses, conquanto isso lhe traga deteriorações infindáveis. Por exemplo, citá-lo-emos Che Guevara, um argentino psicopata, autor de brutalidades de toda ordem, declaradas por seus próprios ex-companheiros de batalha, que podem ser assistidas por sua vez no documentário "Anatomia de um mito".

Pelo fato de ele ser argentino e famoso, suas perseguições e seus crimes, apresentados com elevada solércia e glamourização por setores relevantes, a aludir, por exemplo, a classe artística, são mais do que justificados, afinal, ele é argentino. Se Maradona e Eva são deuses, Che Guevara, tatuado no braço do primeiro, e Juan Domingo Perón, ex-presidente e marido de Eva, serão amiúde vistos como referências, pois os deuses não se equivocam em suas escolhas.

Destarte, é sine qua non reportarmos que esse comportamento, caracterizado por uma ovação pueril, inconteste, catingosa e estulta, explica o porquê da insistência por escolhas políticas infelizes, acarretando a exacerbação cada vez mais nítida da fome no país. Em outros termos, o argentino é acentuado pelo nacionalismo fanático e pela pesporrência incólume, que faz viva naquele que é incapaz de rever e de aprender com seus erros.

Nesse sentido, o gol de mão de Maradona, à frente daquele cujo jogador dribla toda a Inglaterra, demonstra que a malandragem, à similitude do que acontece no Brasil macunaímico, foi, indubitavelmente, a consolidação do "tudo em nome da causa". A bem da lógica, Lionel Messi, em todos os números e perspectivas, vence Maradona de longe; sendo, a saber, melhor do que Diego. Entrementes, ser melhor não implica ser maior, e é esse o ponto-chave da conversa.

Por fim, mesmo depois de decênios da morte de Gardel, os argentinos dizem que ele canta, todas as manhãs, cada vez melhor. Portanto, remontar Deus na figura de um homem tem lá seus malefícios para o próprio homem, de modo que as drogas e a bebida podem ser mencionadas no caso de Diego. Todavia, se a nação trabalha para que o mérito e o talento sejam religiões acima de tudo, ela não cresce, não progride e vive a repetir as suas deploráveis certezas, posto que Deus é intocável. É como dizia o Borges, célebre escritor e outro argentino, "a dúvida é um dos nomes da inteligência". Grosso modo, com seus diversos senões e suas nimiedades ínfimas, Maradona era um talento. Deus, na melhor das hipóteses, só pode ser comparado a santos; caso, exempli gratia, de João Paulo II. Fim!

Daniel Muzitano

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Antitabagismo, o elemento ditatorial

Como sói ocorrer antes do proferimento de qualquer texto, refleti se valeria a pena abordar o assunto em questão, sem imergir em polidas tergiversações. Em instância primeva, não fumo e não tenho a menor vontade de cometer tal despautério, embora recomende, como Nelson Rodrigues, que o homem deve manter ao menos um vício, sobretudo num lugar como o Rio de Janeiro, repleto por sua vez de um sem-número de imbecis.

Assim exposto, o antitabagismo começa com o fim das propagandas de cigarro e com os anúncios dos males do tabaco em suas respectivas embalagens. Mutatis mutandis, o enredo passa para a determinação de uma área especial para não fumantes, trafega pela proibição do fumo em ambientes dos mais diversos e termina com o aumento triplicado dos planos de saúde àqueles que têm esse vício. Fossem efetuadas todas essas ações de uma só vez, indubitavelmente a sociedade perceberia como uma imposição, algo ditatorial, certo?

Dentre muitos, o cigarro foi o elemento selecionado, a fim de que contivesse o apoio moral e cego da direita, diga-se, principalmente da igreja, para uma tentativa de imposição em outros setores. O homossexualismo, por exemplo, não mais é hoje, como era originariamente, uma opção sexual. Hodiernamente, é uma bandeira política, uma forma até mesmo de ascensão profissional; ou ninguém sobe na vida alegando que perdeu um emprego por ser gay?

Nesse sentido, o racismo, o feminismo, a arte, a educação: tudo, outrossim ao antitabagismo, foi posto em prática aos poucos, atendendo aos anseios da esquerda mundial. Por corolário, chega-se agora à liberdade de expressão, ou não temos medo de perder emprego, amigos, até mesmo uma relação amorosa ou algo afim, por aquilo que opinamos nas redes? A origem do plano, estou chegando ao fim, é nada menos do que "No caminho", texto do suicida Maiakovski, sujeito que se matou depois de descobrir que defendeu um regime sanguinário a vida inteira, isto é, o comunismo.

In terminis, pode alguém perguntar: mas e a questão da saúde? Pois bem, o tráfico de cigarros aumentou, e isso gera sempre mais mortes, e os filmes, patrocinados mais das vezes pelo governo mundial de esquerda, que é quem em tese pregou a "saúde", seguiram fazendo propagandas indiretas ao vício; ou o Dicaprio fumando em um filme não é um estímulo? Porém, pela ação ditatorial, você, joão-ninguém, só pode fumar em casa. Aliás, que tal o "fique em casa"? Que os processos comecem!

Daniel Muzitano

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

No faz-de-conta do Novo Acordo

Malgrado eu vitupere praticamente sozinho as necedades afora do Novo Acordo, meu intento outro é sempre o da opulência vocabular. Percebida por mim neste hoje, a ação mentecapta produzida pelos adeptos da Nova Reforma, adjetivada por qualquer alma lógica como um tremendo quiproquó, está na falta de hífen quanto à expressão faz-de-conta, pelo menos quando a dita-cuja faz as vezes de fantasia, imaginação, fingimento e similitudes afins.

No faz-de-conta do Novo Acordo, entendam como fingimento ou mesmo como fantasia, não há o sinal gráfico. O hífen, embora os "doutos" não saibam, pretende extirpar ambiguidades e/ou formar um novo corpo, um novo sentido, por meio de dois ou de mais vocábulos. Não à toa, na construção "faz de conta que isso existe", a saber, é insofismável a sua noção literal, ou seja, o hífen é dispensável. Porém, no preâmbulo desse parágrafo, a situação é outra, pois, como asseverei, existe um novo sentido presente. Em suma, houve a eliminação de ambiguidade, e, incorporada a roupagem de fingimento, por exemplo, há outrossim a criação de um corpo no chamado faz-de-conta.

Por fim, será que é tão difícil para a Academia enxergar isso? Chega a ser um desdouro intelectual essa cegueira abrupta, isso para ser muito respeitoso, posto que hoje acordei com certa alacridade. Esse Acordo, é preciso que alguém diga, foi feito para fins políticos, caracterizado por seu turno como uma norma absolutamente analfabeta, execrável, digna de lamúria e de reproche por assim dizer.

Daniel Muzitano

domingo, 19 de julho de 2020

O pascácio conceito de cultura

Malgrado o fato de eu compreender a cultura como um processo quase que onímodo, preservando evidentemente a moral e o bom vezo, nossa Constituição não a vê nesse viés, haja vista que determina como cultura qualquer expressão do modo de vida do brasileiro. Assim, ante esse nacionalismo néscio, tem-se o funk como uma expressão do modo de vida do povo brasileiro, isto é, como cultura, ao passo que um Chopin, não enquadrado nesse título, passou a ser ignorado e tratado como algo de somenos, irrelevante por assim dizer.
Exposto o cenário, Ernesto Nazareth e João Pernambuco, dois gênios de classe sem igual, apesar de brasileiros, não constituem em sua obra um modo de expressão nacional, e, portanto, são igualmente apagados enquanto referência. Por outro lado, o Rappa e o Marcelo D2, por pior que ela seja, configuram uma expressão do povo brasileiro; estando à frente, em nossa Constituição, por exemplo, do Raphael Rabello.
In terminis, nossa lastimável Constituição legifera, mais das vezes, a favor da banalidade artística nacional, em prol de qualquer alma que revele qualquer ponto do Brasil. Eis aí um dos muitos porquês de estarmos imersos na podridão hodierna. É claro que o Noel Rosa e o Cartola, e muitos outros nomes relevantes, estão dentro de nossa lei cultural, porém é igualmente notório que o conceito é pascácio, pois tanto um quanto o outro são muito maiores do que "uma manifestação da expressão nacional". Em suma, até o que é muito bom e preservado nos anais da história, a saber, fica diminuído e ridicularizado. O conceito é torpe. Precisamos da alta cultura.
Daniel Muzitano

sexta-feira, 3 de julho de 2020

O crime impretérito

Empós de respostas não tão alongadas, e não haverá evidentemente consensus omnium em tal questão, ousá-lo-ei questionar se estamos por vivenciar a era do crime de pensamento, citado de modo iniludível e erudito por George Orwell, respectivamente na obra de 1984. Caros, amiúde tenho que pensar se posto ou não um conteúdo, se falo um não de certo tema, o que posso perder ou não com uma simples postagem: tudo hoje é vigiado, passível de insultos e de perdas.
Desse modo, pensar é crime imperioso, provavelmente com punição imprescritível e inafiançável. Ontem, paulatinamente, ao longo do dia, estava decidido: farei um post sobre os personagens de Bolaños. Hoje, imaginando as críticas, provavelmente vão politizar o vídeo, tecer insultos, e, o que é mais lamentável, vão indubitavelmente rejeitar as referências filosóficas aludidas e o que o Bolaños tinha a nos oferecer. Em nome da promoção vitimista, deu-se no país uma ignorância, a fabricação de pessoas politicamente taradas; enxergando, com total esforço, política ou ato racista até em rótulos de shampoo.
Dado o exposto, como posso arriscar uma pauta? Que segurança tenho de que não perderei profissionalmente? Dependendo de suas orientações e valores, que conclusão outra posso chegar, senão a de que pensar é crime impretérito...? E paremos por aí, pois os mais revoltados já estão por reclamar.
Daniel Muzitano