sexta-feira, 15 de março de 2019

Lava-jato, o único instrumento colendo

Uma vez que pouco vale entrar no mérito jurídico de um fato com cunho absurdo, data venia, isto é, com a devida licença em latim, contrapô-lo-ei de modo breve àquele farisaísta adjetivo formulado por Celso de Mello, portanto, colendo. Malgrado a votação de ontem ter como finalidade única a dilaceração da Lava-jato, o ministro, em sua fleuma, quis nos fazer crer que o nosso Supremo Tribunal Federal, que sempre optou pela impunidade homérica, seria um órgão respeitável, em vista de que é esse hoje o significado do adjetivo supracitado.
Do latim colendus, gerundivo de colere, qual seja, venerar, como atribuir a um Supremo tal qualidade, posto que é ele a essência da inconstância jurídica, com sua cúpula, vale destacar o nome de Gilmar Mendes, enrolada em escândalos tantos? Brasil, Brasil, que horas irá acordar? A epizêuxis, figura que consiste em repetir a mesma palavra seguidamente, por sua vez designando ligação, é um ponto para refletirmos e tomarmos medidas que vão ao encontro de cessar os poderes hiperbólicos desse maldito Supremo.
Por fim, cinco anos de operação e de resultados ricos, caso nada seja feito, irão às favas. Esse poder infindável dos esquerdistas larápios Marco Aurélio Mello, Alexandre de Moraes, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Dias Toffoli precisa ser cassado. O Brasil, até para Nelson Rodrigues, é um lugar incalculável e inimaginável. A todos eles, é preciso alguém gritar: Às ruas! Pelo colendo trabalho da Lava-jato! Ponto.
Daniel Muzitano

sexta-feira, 1 de março de 2019

Um verdadeiro fulgor

O doutor Minh Dung Nghiem, em sua obra-prima Música, Inteligência e Personalidade, trata certos gêneros musicais como aquilo que chamo de aberratio ictus, qual seja, o que atinge indiretamente a outrem. In verbis, diz ele que o músico ou um exímio conhecedor de música, a saber, faz dela uma linguagem, e isso por corolário implica nele a interpretação rica, a facilidade em transmitir mensagem e o exacerbamento quanto ao potencial criativo.
Em contrapartida, o cérebro intelectual, também conhecido como hemisfério esquerdo, posto que o direito compila a parte emocional, é bloqueado, caso seu gosto seja demasiado ruinoso. Ipsis verbis, letras com mensagens pobres geram desatenção e preguiça, mormente em crianças. Demais disso, o dito-cujo aclara que a boa música, Chopin, por exemplo, cura doenças várias, id est, acaba com insônias, angústias, depressões etc.
Minh Dung, de igual clareza, acentua que as músicas influenciam nossos costumes, de modo que estou propenso a ser violento e drogado, caso ouça canções que estejam atreladas à violência e à droga. Em suma, somos resultado daquilo que ouvimos. Pari passu, ele ainda incute ao livro os procedimentos mais técnicos e científicos, além de ressaltar que as crianças, vítimas de poluição sonora, produzem consigo, como supracitado, ainda mais ócio e falta de circunspecção.
Por fim, devido à mídia e ao Estado incentivarem artes estultas, e à similitude de nossa Reforma Ortográfica, a França elaborou um Novo Acordo há mais de 20 anos, em consequência da dificuldade de os franceses se comunicarem, muito por conta de eles possuírem à época uma cultura primitiva, burra por assim dizer. Dado o exposto, isso acarretou num empobrecimento da língua, pois ela foi feita, à revelia de quem pensa, não para ser locupletada, mas para ser nivelada por baixo, a fim de incluir e ficar adaptada aos indigentes mentais. Para tanto, a música não pode ser vista como um entretenimento, e sim como uma substância para a formulação de um país digno enquanto cultura. Fim.
Daniel Muzitano

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Os falsos impertérritos

Sem mais preâmbulos, acerca de Renan Calheiros e Kátia Abreu, não é sem-razão dizer que mais são pessoas sine nobilitate, qual seja, sem nobreza, sem nascimento, diga-se, moral e intelectual. O falso denodo desse pessoal, caracterizado como um lupanar às claras, faz-nos refletir que as diversas possibilidades político-intelectuais reduziram nossas riquezas do passado a nada, como promulgou sabiamente Ortega y Gasset. Embora nunca tenhamos sido um país escorreito, o decoro e a ordem, noutros tempos, eram pré-requisitos numa votação ao Senado.
Em meio aos fatos, é sine qua non a extirpação cultural do que o mesmo Ortega alcunhou de idola fori, isto é, os ídolos do mercado. A elevação de figuras abjetas, à Kátia Abreu e à Calheiros - a crase faz-se aí pelo intuito da moda, afinal, não sou um Pasquale- são dois dentre um sem-número de exemplos. Em suma, enquanto não produzirmos a faculdade do critério e a navegação da opulência referencial, mais seremos configurados pela prepotência e insegurança semântica de diversos imbecis, que hoje têm as faces de Kátia e Renan; dois palúrdios incapazes de interpretar esse texto.

Daniel Muzitano

domingo, 6 de janeiro de 2019

O lapso da disquisição

Embora há cinquenta décadas não fosse mais do que um impropério, hoje a toleima docente é regra, sobretudo quando o assunto perlustra estudos linguísticos e as mentes de gênios à moda João Ribeiro. Que sentimento outro posso oferecer, senão a qualidade do que é irascível? A contrario sensu, caminho resistente àquele culto à ignorância incutido até hoje nos "mestres" de Letras, com respeito à maiúscula.
Demais disso, folhas e mais folhas fizeram crer que Istambul, por mera burrice arábica, foi formada pela frase eis tên polin, ou seja, vamos à cidade. Desta feita, um árabe ouviu a frase e daí passou a chamar o lugar de Istambul. Entretanto, chovem explicações estultas feitas pelos professores abjetos de 22. Para dar luz à matéria, encerro com Itapuã, noutros tempos digna de elogio, designando, por motivos óbvios, pedra preciosa. Aos que criticam meu gosto antigo: estudo os mortos, pois boa parte dos vivos sequer nasceu.

Daniel Muzitano

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

100 anos de atraso

Conquanto haja um ufanismo burro quanto à literatura deste país, é dever meu, antes de tudo, dizer que o título não é hiperbólico, bem como que o assunto não é de somenos. Assim sendo, estava a ler João Ribeiro, um nome sem igual, e lá pelas tantas diz ele que não temos uma Academia, pois não temos literatos; pensamento, esse, com cerca de um século de vida, dado que o autor morreu em 1934.
Na mesma obra, comenta Agrippino Griego que num país como o Brasil, onde a inteligência é considerada um estrangeirismo nefasto, deve ser um tormento ser João Ribeiro. Sem menor opulência, Peregrino Júnior diz: João Ribeiro é um acidente singular e desconcertante, um dos espetáculos mais interessantes da chata planície literária do Brasil. Propondo um paralelo, notem que em todas as áreas, e vale a generalização, temos um gênio para cada 60 mil imbecis.
As mentes mais brilhantes da área de Letras já denunciavam uma deliquescência de um século, e que resulta na nossa crise intelectual presente no então agora. Apesar do cenário, a altivez ignominiosa nunca esteve tão alta. Perante o histórico e as críticas de cérebros provenientes de um século, não é tímido relatar, como sugeriu o Olavo de Carvalho, que de fato estamos uns 260 anos atrasados. Se há 100 anos a inteligência virou exceção, que grau estaríamos agora? Por fim, somos o emblema do quidam e da preguiça.

Daniel Muzitano

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

A inocuidade cerebral (MINHA CRÍTICA DO DIA)

Embora não tenha o degas aqui a obrigação de explicar o óbvio, confesso que me causou obstupefação ver a Deborah Secco, que é muito à esquerda, ter ido votar com um livro de Nelson Rodrigues em mãos. De exórdio, o livro não é um desodorante para amenizar cabelos no sovaco, e sim um elemento para ler, ser estudado, indagado etc. Demais disso, inicio dizendo que Nelson brigou com seu próprio filho por ele ser de esquerda, bem como tinha por hábito assistir aos jogos de futebol com o memorável Médici.
Detalhes à parte, Nelson em diversas frases tece críticas épicas contra a esquerda, por exemplo: "Eu amo a juventude como tal. O que eu abomino é o jovem idiota, o jovem inepto, que escreve nas paredes "É proibido proibir" e carrega cartazes de Lenin, Mao, Guevara e Fidel, autores de proibições das mais brutais". Ao par, também disse que o feminismo reduz a mulher a um homem mal-acabado. Ah, mas o teatro dele criticava o conservadorismo - dirão os mais idiotas.
Nelson criticava o pseudoconservador, de modo que entendia que a esquerda estava, como hoje notamos, ocupando espaços na igreja. Para tanto, não faltam ademanes que servem de emblema para o que estou falando. Uma frase marca bem isso: "A Igreja está ameaçada pelos padres de passeata, pelas freiras de minissaia e pelos cristãos sem Cristo. Hoje, qualquer coroinha contesta o Papa".
Grosso modo, a ideia de Nelson era ter como referência a família verdadeiramente conservadora, mas o debate no Brasil é raso, os pensamentos são curtos e hoje o livro é mais utilizado, sem prejuízo da realidade, como um desodorante vencido desde a queda do muro. É triste ver a pobreza cultural de certas almas. Entretanto, graças a Deus ainda existo para ser o contraponto.
Daniel Muzitano

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

O que seria o termo cum-quibus?


Não há qualquer zéfiro em minha área, senão pela leitura insistente de bons livros, ainda que o país esteja eivado pelo culto à ignorância. Assim sendo, o rico livro de sinônimos, a saber, do notável Antenor Nascentes, trouxe à tona a expressão latina cum-quibus. Afinal de contas, qual o papel de cum-quibus?
A propósito do fato, a forma cum-quibus designa etimologicamente com que ou com os quais. Consoante o autor, engloba a ideia de meios com que ou com os quais se compram as coisas. Para tanto, os dicionários delegam à palavra a noção de dinheiro. Produzido o esclarecimento, por que motivo o hífen é utilizado no termo aludido?
Do grego hýphen, isto é, um só corpo, o sinal gráfico possui a função de evitar ambiguidades, tal como formar um novo vocábulo mediante dois ou mais outros. Em suma, com e que possuem seus sentidos originais na expressão? Não, haja vista que vieram a significar dinheiro. Portanto, faz-se crucial a hifenização.
Por fim, cito aqui um exemplo que evidencia melhor o intuito de extirpar a ambiguidade. Vejamos: Mesa redonda = literalmente uma mesa redonda x Mesa-redonda = reunião de pessoas especializadas em um assunto, de modo a debatê-lo em igualdade de condições. Claro, ninguém irá ler isso, mas dizia Nietzsche: Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar. Fim.
Daniel Muzitano