quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Eterno passado

Sem prejuízo da lógica, consumindo leituras de tipos vários, o Brasil, em sua imaturidade inefável, bem pode ser compreendido como o país do passado. A expressão é elevadamente abjeta, mas cicia no imaginário de cada homem digno de nota. Lato sensu, leiam passado em matéria comportamental, e não como um mero ornato que respeita as belas tradições.
Em sua realidade jucunda, bem cabe a ironia, o brasileiro eliminou de sua vida o choro, o samba, a música erudita. Em contrapartida, mesmo com todas as ditaduras séculos antes tendo implementado o desarmamento, exempli gratia, discutimos, por mais de 50 anos, se isso é válido ou não. E é aí que reside o nosso subdesenvolvimento: na alma. Em vez de debaterem o desarmamento, países desenvolvidos o rejeitam e simplesmente discutem como se dará o uso das armas.
Ao par, o futebol brasileiro hoje aposta no que apostou em 1958, id est, na individualidade técnica. Em mais de 60 anos, decerto abolimos a tática e não evoluímos uma vírgula sequer nesse ponto. Portanto, somos o eterno passado, a infinita ignorância melíflua e risonha, pois a cegueira para com nosso passado estará nos próximos 20, 50, 60 anos. A acrescentar, há 50 anos pelo menos estamos discutindo o domínio das esquerdas e se estarão elas aptas, mesmo com experiências trágicas em todas as pautas existentes.
In terminis, o Brasil é o erro perpétuo, a pose tola e a caricatura ignóbil, a saber, incapaz de aprender com os próprios erros. A etimologia, como outro exemplo, tem milênios de vida, porém aqui sequer nasceu. Com o que vimos, o Brasil vilipendia a evolução, e, quando resolve mudar, opta por algo pior do que o seu passado, ao menos mais das vezes. Entretanto, para não sermos injustos, a Argentina tem uma ridicularidade ainda maior, de maneira que tal consegue ser pior em matéria de passado. Triste é o continente sem norma-padrão. Triste é o país do eterno passado.
Daniel Muzitano

sábado, 26 de outubro de 2019

O fulcro político do brasileiro


In limine litis, mais precisamente de uma revisão feita ontem, estive a pensar por que razão, enquanto especificidades políticas, o brasileiro está atrelado à fofoca e ao fanatismo em produção de análises atinentes à pauta em questão. Assim, encontrei na novela e no futebol respostas não só consentâneas, bem como esclarecedoras.
Independentemente do assunto em votação, o cidadão primeiro visa à ofensa, de maneira que o debate sobre determinado assunto, esse fica menoscabado para segundo plano. Pari passu, ao assistir a uma novela, a respectiva cidadã, no meu mundo homem não assiste a isso, não torce para um personagem ir bem, mas sim para outro ir mal. Para tanto, são enfatizados, para com o indesejado, tão-somente os pontos negativos, e nunca certas habilidades do opositor.
Coadunado a isso, o time de um cidadão, ainda que beneficiado pela arbitragem, precisa ganhar de qualquer jeito. E é nisso aí que podemos entender as seitas pró-Lula ou pró-Bolsonaro. Grosso modo, embora tenha eu elevada aversão ao PT, sou inteligente para perceber no Lula, maior bandido da história, seu poder carismático e sua esperteza na arte de convencer. O senhor Freixo, por exemplo, conquanto tenha sempre críticas de minha parte, é articulado e tem potencial para crescer, pois convence muito jovem de cabelo verde.
Em outras palavras, ter uma bandeira política é algo necessário, mas isso não pode fazer do cidadão, quer pela influência da novela, quer pela influência do futebol, alguém inábil para analisar os pontos fortes do inimigo, tal como os pontos fracos e/ou críticas do aliado. A bem da lógica, Aras e Flávio são minhas críticas ao atual presidente, por exemplo. Por fim, a cegueira burra cria estorvos para a consolidação de uma base que faça frente a uma esquerda organizada, ainda que bem estulta e demasiado infantil.

Daniel Muzitano

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

O nivelamento do contrassenso

De modo a explicar a carência de certos predicados atinentes à minha geração, e no interstício de um exercício, bem pensei com' seria oportuno trabalhar a palavra suarabácti, pois a burrice neste país é um elemento indelével. De súbito, confesso por agora que havia desistido, de maneira que cheguei à conclusão de que seria um tanto incompreendido. Entretanto, como escrever é algo prazeroso, pouco importa quem irá depreender ou não. Aliás, há certo orgulho em não ser decifrado no nosso odioso lábaro.
Data venia, o termo é processo outro decorrente do sânscrito svarabhakti, id est, separação por meio de vogal. Trata-se de uma vogal intercalar que desune consoantes, exempli gratia, como em porão, de prão. Para fins comparativos, as meninas vegano-funkeiras, a cantarolar músicas dos coronéis da MPB, retratam bem isso, uma vez que formam uma só linha, a saber, dissociando consoantes, ou seja, fatores harmoniosos intelectualmente. O ponto-chave é que consoante é adição de con- (junto) com soante, de som.
Em suma, a experiência está atrelada aos fatos. Dada a ideia, o suarabácti é um processo que ignora ou rejeita essa combinação. Assim dito, mesmo com o comunismo sendo o regime que mais matou no planeta, há quem ainda o siga por demasiada estupidez. Ainda que o funk seja trilha sonora do tráfico, da gravidez precoce e do analfabetismo em todas as vertentes, há quem o escute. Agora, é a vez do veganismo, rotundo e de uma necedade inelutável, diga-se, como vários rostos de minha infantil geração. Ficou sem entender? Estude!

Daniel Muzitano

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Um chiste feérico

Dados os tempos atuais e as poucas vicissitudes intelectuais, bem sei que não é época para um título desta têmpera, porém, quem escreve para muitos, levando em conta o Brasil, está fadado ao ridículo ululante. Sob esse prisma, afiro um ponto outro que neste então a mim foi feito, scilicet, o porquê de eu porfiar em estudar etimologia, se não há, tirante um ou outro, interesse pela matéria propriamente supracitada.
In verbis, trato o fato com enorme facécia, em vista de que, fizesse eu o que é agrado para a maioria, seria, no melhor das hipóteses, um religioso fanático, alimentado pelo sentido literal de certos versículos, ou, quando não, alguém com gosto cultural extremamente questionável, perdendo capacidade técnica, empobrecido pelo nivelamento por baixo que assola o país. No Brasil, rumar ao contrário é obrigação, ainda que a consequência seja profissional, e, portanto, financeira.
Quanto à etimologia, não só locupleta a alma e é sine qua non para as atividades que cercam minha profissão, bem como nos faz entender diversos fatores político-culturais, filosóficos etc. Em suma, produzir vídeos e textos a respeito não é um ingresso à minha suposta altivez, e sim uma oportunidade de os meninos e as meninas virarem homens e mulheres, qual seja, cérebros capazes de um tête-à-tête para comigo, de modo a não haver, nos primeiros três minutos, perguntas demasiado ignorantes. Por fim, a ideia é essa. E cá entre nós, um vídeo ou um texto meu vale mais do que a carreira de muita gente por aí. Uma boa-noite a todos.
Daniel Muzitano

domingo, 15 de setembro de 2019

É tempo de boa mudança

Léo Duarte, zagueiro do Flamengo, disse, ipsis litteris, que em dez dias aprendeu com Jesus o que não aprendeu em anos vários com todos os outros treinadores. Em resposta à pergunta que envolve o atraso de boa parte dos técnicos brasileiros, nada mais trivial do que exordiar esse texto com a frase do zagueiro em questão. E não me venham com a desculpa de que Jesus é comum e que qualquer um estaria em primeiro pelo fato de o Flamengo ter uma equipe escorreita. Jorge Jesus, em mais de 30 anos, foi o único que levou o clube a uma semifinal de libertadores.
Demais disso, o Flamengo, quando o dito-cujo chegou à Gávea, pelo que me recordo, estava aproximadamente dez pontos atrás do líder. Jesus não só fez do ai-jesus o primeiro, tal como aumentou e muito as chances criadas e a média de gols feitos. Destarte, Jesus vem por agora melhorando o que era um senão e tanto, id est, o setor defensivo. Aos poucos, o Flamengo vem sim levando menos gols e auspiciando menos oportunidades aos seus adversários. In verbis, sou adepto da tese de que, com exceção de Diniz e de Tiago Nunes, fabricamos indubitavelmente técnicos atrasados.
No mais, Flamengo e Santos fizeram um jogo diferenciado na tarde de ontem, refletindo por seu turno em muito equilíbrio e poucas chances criadas, claro, mérito de parte a parte, conquanto Sampaoli, que a meu ver ainda é melhor do que Jesus, tenha um time muito aquém tecnicamente, pelo menos se comparado ao Flamengo. O jogo de ontem, pela inteligência tática de ambos, decerto terminaria 0 x 0. Entretanto, o Flamengo, em momentos árduos, tem mais possibilidades de extrair o inusitado. E Jesus fez o milagre de transformar Arão em jogador.
Quanto àqueles que não entendem por que cito Diniz, antes o Fluminense criava muito e não fazia. Hoje, cria pouco e segue sem fazer. A equipe adquiriu, por tão-somente mérito de Diniz, um repertório rico, mas esbarrava nas deficiências técnicas de seus jogadores, além de ele ter perdido diversos por vendas equivocadas do clube e contusões. Deem um time à altura e Diniz vencerá algo grande. Tirem Sampaoli do Santos, insiram um brasileiro comum e o peixe ficará no meio da tabela. Tirem Jesus do Flamengo e o clube parará de crescer. É hora de acabarmos com essa paixão vernácula absolutamente imbecil. Está na hora de o Brasil produzir técnicos, como há na Argentina, que sejam cogitados por grandes clubes europeus. É tempo de boa mudança.
Daniel Muzitano

sábado, 31 de agosto de 2019

Professor basbaque, um falsário fobó

Conquanto soe um tanto piegas, é impreterível no dever do profissional existir coerência, a saber, independentemente da área em que ele atue. Ipsis litteris, comentá-lo-ei neste então acerca da conduta do professor Pasquale, vulgo basbaque; sujeito, claro, de uma visão extremamente depauperada e que envilece a Língua Portuguesa.
Sem mais preâmbulos, Fernando Haddad, ex-ministro da Educação, escrevia "cabeçário", em vez de cabeçalho. Manuela D'ávila, outra anta sem igual, ex-candidata à vice-presidente da República na chapa larápia do PT, em vez de evangelho, redigiu "evangélio". Mendonça Filho, outro ex-ministro da Educação, já disse "ouvo", em vez de ouço. E ontem, para findar meus exemplos, Abraham Weintraub, o atual ex-ministro da Educação, escreveu paralisação com z e suspensão com ç.
Data venia, o caro Pasquale foi omisso em todos os casos, tirante o último, diga-se, por preferência ideológica. Assim sendo, podemos presumir que a ideologia, na visão dele, vence seu suspeito amor à profissão, o que faz dele um desserviço à área. Em sua coluna, o dito-cujo tece loas a movimentos culturais de esquerda e a políticos de esquerda, bem como prova como é curto seu raciocínio, de modo que não sabe a diferença de necrópsia para autópsia, além de ser fã de Antônio Houaiss e fielmente oposto ao Novo Acordo, que é de esquerda, quando o próprio foi o pai da norma.
In terminis, como não sou um militante e não tenho vicissitudes para com críticas, a refocilar, de acordo com o respectivo personagem, todos os erros são gravíssimos e dignos de pessoas semianalfabetas, de maneira que minha profissão está à frente de meus gostos políticos. Aliás, paralisação, que emana de paralisia, vindo do grego parálysis, id est, fraqueza, adjetiva bem esse comportamento demasiado imbecil da esquerda. Portanto, além de ela ter seus bandidos de estimação, fabrica também seus burros caseiros. E olha que nem mencionei as necedades de Lula e Dilma. Senão, era papo para dias e dias. Pasquale não é nada, a não ser uma paralisia. E mais, a essência do profissionalismo reside na nossa honestidade intelectual. Mas, embora seja bem velho e acabado, nosso amiguinho ainda não descobriu isso. Um abraço.
Daniel Muzitano

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Os pacóvios que afiançam Caetano

Malgrado a maioria oposta, herói, consoante Nelson Rodrigues, é o sujeito outro que tem a capacidade de escrever, diga-se, com o mínimo de autenticidade. Tirante um ou outro nome, há uma covardia vernácula Brasil afora nesse sentido. Esta semana, proveniente de minha célebre amada Patricia Cortes, vi pessoas várias elogiando a "obra" do inútil Caetano; aquele, a ver, que gostava, quando com seus 40 anos, de uma menininha de 13.
Alcunhado de poeta por uma súcia de ineptos, Caetano, para início de conversa, sob a forma da máfia do dendê, cassou jornalistas que criticavam seu trabalho, que por seu turno enaltece um gosto excêntrico por um leãozinho, embora alguns dizem ter isso certa riqueza poética. Outro ora, me não lembro de ter lido tamanha estupidez, a ver, resultante de seus fãs.
Demais disso, é ele pai da uniformização de pensamento cultural, a citar, na burra Tropicália, que, bem como a Semana de 22, queria propiciar algo original a um suposto Brasil novo, ainda que tenha buscado como influências Hendrix e Beatles. Pari passu, também ele transformou a MPB numa sigla ideológica, assim como a Lei Rouanet num sistema ditatorial sem igual. Não à toa, desde 2002, época em que Gil foi ministro, nem um artista sequer teceu um comentário oposto à ideologia caetânica.
In terminis, dados todos esses fatos, sinto repulsa extrema por esses babacas, sim, babacas comuns, que saem por aí, independentemente da posição ideológica, formulando elogios a uma figura abjeta, limitada e que nunca será influência cultural àqueles com mais de dois neurônios. Lembram do Nelson? Tenho autenticidade, e, por isso, sinto-me com' herói, com o perdão do alto nível. Aos fãs da múmia: burrice com arrogância até a Anitta tem. Ah, a música mais famosa de Caetano, Sozinho, uma belíssima letra por sinal, não é do Caetano. Um abraço.
Daniel Muzitano