quinta-feira, 10 de outubro de 2019

O nivelamento do contrassenso

De modo a explicar a carência de certos predicados atinentes à minha geração, e no interstício de um exercício, bem pensei com' seria oportuno trabalhar a palavra suarabácti, pois a burrice neste país é um elemento indelével. De súbito, confesso por agora que havia desistido, de maneira que cheguei à conclusão de que seria um tanto incompreendido. Entretanto, como escrever é algo prazeroso, pouco importa quem irá depreender ou não. Aliás, há certo orgulho em não ser decifrado no nosso odioso lábaro.
Data venia, o termo é processo outro decorrente do sânscrito svarabhakti, id est, separação por meio de vogal. Trata-se de uma vogal intercalar que desune consoantes, exempli gratia, como em porão, de prão. Para fins comparativos, as meninas vegano-funkeiras, a cantarolar músicas dos coronéis da MPB, retratam bem isso, uma vez que formam uma só linha, a saber, dissociando consoantes, ou seja, fatores harmoniosos intelectualmente. O ponto-chave é que consoante é adição de con- (junto) com soante, de som.
Em suma, a experiência está atrelada aos fatos. Dada a ideia, o suarabácti é um processo que ignora ou rejeita essa combinação. Assim dito, mesmo com o comunismo sendo o regime que mais matou no planeta, há quem ainda o siga por demasiada estupidez. Ainda que o funk seja trilha sonora do tráfico, da gravidez precoce e do analfabetismo em todas as vertentes, há quem o escute. Agora, é a vez do veganismo, rotundo e de uma necedade inelutável, diga-se, como vários rostos de minha infantil geração. Ficou sem entender? Estude!

Daniel Muzitano

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Um chiste feérico

Dados os tempos atuais e as poucas vicissitudes intelectuais, bem sei que não é época para um título desta têmpera, porém, quem escreve para muitos, levando em conta o Brasil, está fadado ao ridículo ululante. Sob esse prisma, afiro um ponto outro que neste então a mim foi feito, scilicet, o porquê de eu porfiar em estudar etimologia, se não há, tirante um ou outro, interesse pela matéria propriamente supracitada.
In verbis, trato o fato com enorme facécia, em vista de que, fizesse eu o que é agrado para a maioria, seria, no melhor das hipóteses, um religioso fanático, alimentado pelo sentido literal de certos versículos, ou, quando não, alguém com gosto cultural extremamente questionável, perdendo capacidade técnica, empobrecido pelo nivelamento por baixo que assola o país. No Brasil, rumar ao contrário é obrigação, ainda que a consequência seja profissional, e, portanto, financeira.
Quanto à etimologia, não só locupleta a alma e é sine qua non para as atividades que cercam minha profissão, bem como nos faz entender diversos fatores político-culturais, filosóficos etc. Em suma, produzir vídeos e textos a respeito não é um ingresso à minha suposta altivez, e sim uma oportunidade de os meninos e as meninas virarem homens e mulheres, qual seja, cérebros capazes de um tête-à-tête para comigo, de modo a não haver, nos primeiros três minutos, perguntas demasiado ignorantes. Por fim, a ideia é essa. E cá entre nós, um vídeo ou um texto meu vale mais do que a carreira de muita gente por aí. Uma boa-noite a todos.
Daniel Muzitano

domingo, 15 de setembro de 2019

É tempo de boa mudança

Léo Duarte, zagueiro do Flamengo, disse, ipsis litteris, que em dez dias aprendeu com Jesus o que não aprendeu em anos vários com todos os outros treinadores. Em resposta à pergunta que envolve o atraso de boa parte dos técnicos brasileiros, nada mais trivial do que exordiar esse texto com a frase do zagueiro em questão. E não me venham com a desculpa de que Jesus é comum e que qualquer um estaria em primeiro pelo fato de o Flamengo ter uma equipe escorreita. Jorge Jesus, em mais de 30 anos, foi o único que levou o clube a uma semifinal de libertadores.
Demais disso, o Flamengo, quando o dito-cujo chegou à Gávea, pelo que me recordo, estava aproximadamente dez pontos atrás do líder. Jesus não só fez do ai-jesus o primeiro, tal como aumentou e muito as chances criadas e a média de gols feitos. Destarte, Jesus vem por agora melhorando o que era um senão e tanto, id est, o setor defensivo. Aos poucos, o Flamengo vem sim levando menos gols e auspiciando menos oportunidades aos seus adversários. In verbis, sou adepto da tese de que, com exceção de Diniz e de Tiago Nunes, fabricamos indubitavelmente técnicos atrasados.
No mais, Flamengo e Santos fizeram um jogo diferenciado na tarde de ontem, refletindo por seu turno em muito equilíbrio e poucas chances criadas, claro, mérito de parte a parte, conquanto Sampaoli, que a meu ver ainda é melhor do que Jesus, tenha um time muito aquém tecnicamente, pelo menos se comparado ao Flamengo. O jogo de ontem, pela inteligência tática de ambos, decerto terminaria 0 x 0. Entretanto, o Flamengo, em momentos árduos, tem mais possibilidades de extrair o inusitado. E Jesus fez o milagre de transformar Arão em jogador.
Quanto àqueles que não entendem por que cito Diniz, antes o Fluminense criava muito e não fazia. Hoje, cria pouco e segue sem fazer. A equipe adquiriu, por tão-somente mérito de Diniz, um repertório rico, mas esbarrava nas deficiências técnicas de seus jogadores, além de ele ter perdido diversos por vendas equivocadas do clube e contusões. Deem um time à altura e Diniz vencerá algo grande. Tirem Sampaoli do Santos, insiram um brasileiro comum e o peixe ficará no meio da tabela. Tirem Jesus do Flamengo e o clube parará de crescer. É hora de acabarmos com essa paixão vernácula absolutamente imbecil. Está na hora de o Brasil produzir técnicos, como há na Argentina, que sejam cogitados por grandes clubes europeus. É tempo de boa mudança.
Daniel Muzitano

sábado, 31 de agosto de 2019

Professor basbaque, um falsário fobó

Conquanto soe um tanto piegas, é impreterível no dever do profissional existir coerência, a saber, independentemente da área em que ele atue. Ipsis litteris, comentá-lo-ei neste então acerca da conduta do professor Pasquale, vulgo basbaque; sujeito, claro, de uma visão extremamente depauperada e que envilece a Língua Portuguesa.
Sem mais preâmbulos, Fernando Haddad, ex-ministro da Educação, escrevia "cabeçário", em vez de cabeçalho. Manuela D'ávila, outra anta sem igual, ex-candidata à vice-presidente da República na chapa larápia do PT, em vez de evangelho, redigiu "evangélio". Mendonça Filho, outro ex-ministro da Educação, já disse "ouvo", em vez de ouço. E ontem, para findar meus exemplos, Abraham Weintraub, o atual ex-ministro da Educação, escreveu paralisação com z e suspensão com ç.
Data venia, o caro Pasquale foi omisso em todos os casos, tirante o último, diga-se, por preferência ideológica. Assim sendo, podemos presumir que a ideologia, na visão dele, vence seu suspeito amor à profissão, o que faz dele um desserviço à área. Em sua coluna, o dito-cujo tece loas a movimentos culturais de esquerda e a políticos de esquerda, bem como prova como é curto seu raciocínio, de modo que não sabe a diferença de necrópsia para autópsia, além de ser fã de Antônio Houaiss e fielmente oposto ao Novo Acordo, que é de esquerda, quando o próprio foi o pai da norma.
In terminis, como não sou um militante e não tenho vicissitudes para com críticas, a refocilar, de acordo com o respectivo personagem, todos os erros são gravíssimos e dignos de pessoas semianalfabetas, de maneira que minha profissão está à frente de meus gostos políticos. Aliás, paralisação, que emana de paralisia, vindo do grego parálysis, id est, fraqueza, adjetiva bem esse comportamento demasiado imbecil da esquerda. Portanto, além de ela ter seus bandidos de estimação, fabrica também seus burros caseiros. E olha que nem mencionei as necedades de Lula e Dilma. Senão, era papo para dias e dias. Pasquale não é nada, a não ser uma paralisia. E mais, a essência do profissionalismo reside na nossa honestidade intelectual. Mas, embora seja bem velho e acabado, nosso amiguinho ainda não descobriu isso. Um abraço.
Daniel Muzitano

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Os pacóvios que afiançam Caetano

Malgrado a maioria oposta, herói, consoante Nelson Rodrigues, é o sujeito outro que tem a capacidade de escrever, diga-se, com o mínimo de autenticidade. Tirante um ou outro nome, há uma covardia vernácula Brasil afora nesse sentido. Esta semana, proveniente de minha célebre amada Patricia Cortes, vi pessoas várias elogiando a "obra" do inútil Caetano; aquele, a ver, que gostava, quando com seus 40 anos, de uma menininha de 13.
Alcunhado de poeta por uma súcia de ineptos, Caetano, para início de conversa, sob a forma da máfia do dendê, cassou jornalistas que criticavam seu trabalho, que por seu turno enaltece um gosto excêntrico por um leãozinho, embora alguns dizem ter isso certa riqueza poética. Outro ora, me não lembro de ter lido tamanha estupidez, a ver, resultante de seus fãs.
Demais disso, é ele pai da uniformização de pensamento cultural, a citar, na burra Tropicália, que, bem como a Semana de 22, queria propiciar algo original a um suposto Brasil novo, ainda que tenha buscado como influências Hendrix e Beatles. Pari passu, também ele transformou a MPB numa sigla ideológica, assim como a Lei Rouanet num sistema ditatorial sem igual. Não à toa, desde 2002, época em que Gil foi ministro, nem um artista sequer teceu um comentário oposto à ideologia caetânica.
In terminis, dados todos esses fatos, sinto repulsa extrema por esses babacas, sim, babacas comuns, que saem por aí, independentemente da posição ideológica, formulando elogios a uma figura abjeta, limitada e que nunca será influência cultural àqueles com mais de dois neurônios. Lembram do Nelson? Tenho autenticidade, e, por isso, sinto-me com' herói, com o perdão do alto nível. Aos fãs da múmia: burrice com arrogância até a Anitta tem. Ah, a música mais famosa de Caetano, Sozinho, uma belíssima letra por sinal, não é do Caetano. Um abraço.
Daniel Muzitano

terça-feira, 23 de julho de 2019

O culto à figura da puta (Bruna Surfistinha)

Data venia, vale sempre asseverar que a deliquescência cultural não vem à tona por acaso, de modo que, com afinco, apontá-lo-ei por que razão a Bruna Surfistinha, queira ou não, tem certa idolatria, despertando quando menos a curiosidade ou o afeto colossal por parte da população. A bem dos fatos, José de Alencar, na figura de Lucíola, uma prostituta glamourizada como modelo a ser seguido, foi leitura obrigatória escolas afora, de maneira que gerações anteriores à minha tiveram também contato com a literatura aludida, e isso vale outrossim para a minha época de colegial.
Naquele então, diga-se, eu era adolescente, id est, estava tendo a cabeça formada para a narrativa de que pode sim uma puta ser uma referência para a mulher. Quanto ao imaginário popular, puta virou sinônimo de extraordinário ou intenso, exempli gratia, quando falamos que fulano é um "puta" profissional, ou seja, um profissional extraordinário. A puta, por conta do livro, ganhou também o significado de dinheiro, por seu turno simbolizando valor, a saber, na palavra puto. Com isso, notem: não tenho um puto (dinheiro/real) no bolso.
Dado o exposto, a linha gramscista-marxista, ao encontro de Alencar, viu na prostituta um elemento para romper a família, banalizando o conceito da palavra em questão. Ademais, a puta gerou também a ideia de que ter amante é normal, tal como de que orgias, relacionamentos a três e a mulher independente, como alguém a sair por aí dando sem rumo, são fatos demasiado comuns. Em suma, a esquerda, que diz combater o machismo e pregar o respeito à mulher, foi a formuladora dessa inversão; uma contradição, a ver, bastante nítida.
In terminis, a Bruna Surfistinha, nesse aspecto, é a consolidação de que o plano de destruir os preceitos do conservadorismo, e a puta é um dentre tantos grupos, foi muito bem-sucedido. Como o debate cultural no Brasil é raso, é dever meu esmiuçar que o cenário posto aqui não vem sendo denunciado. José de Alencar, como Manuel Bandeira e outros que estiveram a serviço da esquerda, é um filho-da-puta sobremaneira com hífen. Nada é por acaso. Ponto.

Daniel Muzitano

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Um jogo minimamente bom, embora taticamente atrasado

No meu memento atinente ao jogo envolvendo Brasil e Argentina, a ver, Daniel Alves, seguido de Messi, foi indubitavelmente o melhor em campo, tanto pela pré-assistência e pela entrega, tal como pela autoridade que obteve ao chamar a partida para si. Entretanto, tirante um pouco esse duelo, o más-más sul-americano é nítido, de maneira que afirmo que, seguindo assim, nem uma seleção sul-americana ganhará mais nada, senão torneios propriamente sul-americanos.
Pari passu, nossa intempérie está no fato de acharmos que só raça e técnica são elementos suficientes, haja vista que estamos num atraso tático infindável. Na melhor atuação do Brasil, nada de excepcional, eis que a equipe finalizou apenas quatro vezes, foi de novo um time sem repertório ofensivo e mais uma vez refém deste ou daqueloutro brilho individual. A Argentina, um pouco mais desorganizada do que o Brasil, perdeu por incompetência nas finalizações, diga-se, catorze ao todo; número, a ver, além do triplo do Brasil.
Em outros termos, ganhar hoje de qualquer seleção sul-americana, em vista do atraso tático em comparação às potências europeias, não significa nada. In terminis, assim como em momentos recentes, estamos nos iludindo mais uma vez, conquanto tenhamos sido eliminados nos últimos mundiais para França, Holanda, Alemanha e Bélgica, id est, quatro escolas e escalões diferentes. Será que isso não quer dizer nada? E olha que nem frisei sobre a ausência de treinadores brasileiros nos grandes ou mesmo médios clubes europeus. Comemorar vitórias é importante. Iludir-se, não. Ponto.

Daniel Muzitano