sexta-feira, 13 de abril de 2018

Os pontos de interrogação sobre a Bruxa

Malgrado o fato de haver um meandro para com a questão, sãmente outorgo os pontos relevantes acerca do étimo da palavra bruxa, que, a bem da verdade, é deveras pouco detalhado e muito menoscabado, ao passo que dicionários e etimólogos estão restritos à explicação pobre, a saber, de conferir ao termo que se trata de uma origem controvérsia. Embora haja mais de uma teoria, pari passu presumo ser dever de profissionais da área mostrar todas as possibilidades presentes no fato em questão, diga-se, sem cometer quiproquó algum, isto é, tomar uma coisa por outra.

A seu turno, o estimado Deonísio da Silva, em sua coluna dedicada à etimologia, pouco agregou neste particular; fato, esse, que auspiciou neste que vos fala uma curiosidade irrefragável na busca incessante por tais porquês. Consoante alguns etimólogos brasileiros, bruxa seria resultado do latim bruchu, ou seja, gafanhoto sem asas. Desta feita, talvez a vassoura para voar e a associação com o sentido de feiura, notem, tenham surgido daí. Sem mais delongas, a Academia Espanhola promulga que o vocábulo espanhol brujo, decorrente do latim bruscus, seria decerto a origem. A título de explicação, bruscus seria perereca, qual seja, mais um concorrente latino quanto ao fato de ter vindo à tona o significado de feia para a palavra, uma vez que o bicho é reconhecido por sua falta de venustidade.

Demais disso e por fim, João Ribeiro, sobretudo em sua obra-prima Frases Feitas, revela que a bruxa é oriunda do vasconço buruz, portanto, de cabeça baixa. Na verdade, a cabeça estaria escondida ou parcialmente escondida, a somar, pela minúcia do uso da capa. Dentre as alternativas, o escorreito João Ribeiro merece uma credencial no tema, pois muito fez pela etimologia, pela Língua Portuguesa, e, de certo modo, por todos nós. O aspecto triste é que ninguém Brasil afora, seja professor ou aluno, tem ciência da quase que incomparável importância do ilustre aludido, mas todos conhecem as necedades musicais cá em vigor, por exemplo, o funk. Isso é o Brasil. Triste.

Daniel Muzitano

terça-feira, 13 de março de 2018

Sob a tutela etimológica

Pari passu em que sou caudatário convicto de a etimologia ser a essência da existência enquanto método de ensino, sou outrossim escorreito quanto ao fato de pôr e de vir à tona a comprovação daquilo que acredito. Desta feita, e por meio desse artigo, elucidá-lo-ei o quão mais simples seria não tão-somente para o professor, tal como para o aluno, a ver, caso a etimologia fosse o elemento de explicação nas salas de aula Brasil afora.

Sem mais preâmbulos, peguemos uma aula de figura de linguagem como teste. Grosso modo, a palavra prosopopeia - sem acento - decorre do grego prósopon, isto é, rosto. Para com o sufixo -peia, resulta da ideia de criar ou de fazer. Por conseguinte, trata-se da figura que consiste na atribuição de sentimentos, de psicologia e de comportamento humanos a seres inanimados. Em síntese, criar um rosto para algo sem vida.

Dado o exposto e para tanto, a música de Cartola seria um suntuoso exemplo, sendo mais bem específico, faço alusão à obra-prima "As rosas não falam". Vamos ao trecho: "Queixo-me às rosas/ Mas que bobagem/As rosas não falam/Simplesmente as rosas exalam/O perfume que roubam de ti". O que o melhor sambista de todos os tempos fez? Criou um rosto para algo inanimado, isto é, as rosas.

Houvesse a criança aprendido nesse formato, teria vida a ignóbil e tola decoreba? Em vez de o professor mandar o jovem gravar o que é metonímia, mais plausível seria dizer que o vocábulo é uma adjeção de met(a)- , prefixo que designa mudança. E -ônimo ou -onímia, sufixo que por sua vez engloba como significado nada mais do que nome. Em resumo, mudança de nome. No momento em que digo que li Nelson Rodrigues, quero dizer na verdade que fiz a leitura de seu livro ou de sua crônica. Ou seja, usei o nome Nelson no lugar de um título de um livro ou de uma crônica.

Por fim, onomatopeia é a junção de onoma-, qual seja, nome. E -peia, fazer. Em suma, fazer um nome, a completar, por meio de um som. Reco-reco, tique-taque e pingue-pongue justificam a ideia supracitada. Estamos muito atrasados e é triste o lugar cujo brasileiro ocupa culturalmente falando, a entender, pelo fato de a "intelectualidade" brasileira discutir estultices, menoscabando o que de fato deveria estar à frente na esfera celestial da discussão, portanto, a irreprochável etimologia. É isso.

Daniel Muzitano

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Divagar é com i

Embora pouco estudado e debatido, Antenor Nascentes possui uma obra irreprochável e escorreita, sobretudo no que diz respeito à etimologia. Aliás, o dito-cujo deveria ser nome de escola, rua e tudo o que mais, porém este país gosta de encomiar figuras ominosas como Paulo Freire. Críticas à parte, no riquíssimo dicionário etimológico de Antenor, a saber, encontramos o verbo divagar, proveniente do latim divagare.
De uso um tanto restrito, divagar engloba as noções de fantasiar, errar, percorrer, desconversar, dentre outros sentidos. À guisa de Antenor, o prefixo di- corresponderia à lógica de duas vezes, uma vez que resulta do grego dís. No mais, divagar originalmente seria vagar por diversos lados. Com relação ao vocábulo devagar, parônimo do verbo supracitado que faz as vezes de advérbio ou adjetivo, o prefixo de- exerce o papel de redução.
Dado o exposto, podemos falar que alguém começou a divagar (desconversar) ou que alguém fica a divagar (fantasiar) algo. As opções são diversas, de modo que divagamos (percorremos) um caminho ou divagamos (erramos) uma questão. É como dizia Isaac Newton: "O que sabemos é uma gota. O que ignoramos, um oceano". Àqueles que ofendem antes de ter ciência para com o tema, resta tão-somente este humílimo texto. E é isso.
Daniel Muzitano

domingo, 18 de fevereiro de 2018

O campeonato do esmorecimento derivado da inversão de valores

Entreveros à parte, nada justifica que a final da Taça Guanabara, independentemente do duelo, seja realizada fora do estado do Rio de Janeiro, isto é, em Cariacica, Espírito Santo. Dado o exposto, há outros problemas mais nesta edição demasiado mendicante tanto em sua organização, tal como em suas esferas tática e técnica.
De exórdio, o Maracanã, dantes palco de clássicos homéricos e escorreitos, hoje privilegia eventos que não o futebol, haja vista ter sido utilizado para um show, embora houvera no mesmo dia de sua realização um Flamengo x Botafogo. No mais, outrossim ao regulamento confuso do ano passado, pode o Flamengo, por exemplo, vencer os dois turnos, e, pasmem, não ser o campeão carioca deste ano; algo, a ver, sem sentido algum.
Aliás, o Flamengo ano passado foi o campeão, conquanto Fluminense e Vasco tenham conquistado respectivamente os dois turnos. Por conseguinte, isso faz os clubes menosprezarem cada vez mais o torneio que de há muito vem perdendo o seu valor. Com relação ao jogo de hoje, e pelo o que acabei de dizer, de pouco vale, senão para justificar minha ida ao bar, por sua vez exercitando uma atividade rodriguiana, portanto, imaginar um jogo interessante assistindo a uma partida irrisória.
Por fim, o futebol carioca segue à risca a doentia inversão de valores presente no estado carioca, ou seja, temos um estádio de futebol que não tem por prioridade o futebol, um campeonato carioca que não será no Rio de Janeiro e um campeão que pode não ter vencido turno algum. À semelhança, o bandido hoje é visto como um herói, um sujeito que estuda é rotulado pela sua "arrogância" e um cara muito correto é visto como otário pelos demais. Grosso modo, a falta de valor de nosso estado respinga em tudo, inclusive em nosso futebol. É isso.

Daniel Muzitano

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

O grama ou a grama?

Malgrado o fato de haver um demasiado quiproquó nesta questão, a dúvida não é lá tola, uma vez que o aviltamento pela etimologia vigora em nosso país de há muito. Dito isso, fiquemos à espreita do assunto, a saber, com o auxílio do sempre irreprochável Antenor Nascentes, diga-se, o mestre dos mestres na conjuntura etimológica. Acerca da pauta, antes de tudo é bom ressaltarmos que tanto existe "o grama", bem como "a grama". Sendo assim, que desvendemos o mistério.
Segundo o nosso famigerado dicionário Caldas, a grama seria o mesmo que gramado, isto é, qualquer gramínea de rizomas rastejantes, cultivada para formar gramados, jardins e parques ou como forrageiras. Já o grama, principal unidade de massa do sistema métrico, correspondente a um milésimo do quilograma, ou seja, o correto seria falar, por exemplo, duzentos gramas de presunto.
Sem mais delongas, a grama surgiu do latim gramen; expressão, portanto, confundida com gramínea. Aliás, alguns autores dizem que a grama decorre de gramen, graminis. Embora não haja consenso, indubitavelmente a palavra gramínea é indissociável à palavra grama, claro, no feminino. Para com o grama, deriva do grego grámma, então, escrópulo. Em suma, antigo peso de 24 grãos ou uma terça parte da oitava, equivalente a 1 grama e 125 miligramas. Com o passar dos tempos, o elemento -grama- passou a significar letra e registro; sentidos, logo, presentes em gramática e cronograma.
Por fim, o grama e a grama são homônimos perfeitos, qual seja, palavras com pronúncia e grafia iguais, porém significados diferentes. Como adendo, homônimo emana do grego homónymos. Em suma, soma de homós (igual) e ónymos (nome). Em resumo, tudo é mais fácil com a etimologia. É isso.
Daniel Muzitano

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Meio século de banalização

Conquanto hodiernamente muitos julguem qualquer estultice como arte, porfio em redigir, dantes sem saber em que lugar da história sua banalização teve início, que o plano já dura pelo menos meio século. Sem mais preâmbulos, resolvi escrever acerca do tema da banalização da arte, haja vista o fato de o Santander Cultural ter anunciado, mais uma vez, uma exposição que tratará de diversidade sexual. A rememorar, o último evento nesse sentido resultou em crianças tocando em um cara nu.

Em seu documentário que diz respeito à beleza, o escritor Roger Scruton aclara o porquanto de estarmos vivendo esses tempos nefandos. A título de explicação, crucial parece voltarmos para a Grécia de Platão. À época, a arte era a ligação da beleza com a ideia de Deus e suas religiosidades. Para tanto, há dois pensamentos platônicos que evidenciam o elo supracitado. Vamos a eles: "A beleza é o sinal de uma outra ordem superior". "Contemplando a beleza com os olhos da mente, você será capaz de nutrir a verdadeira virtude e se tornar amigo de Deus".

Dado o exposto, sobretudo com a definição originária da arte, que entendamos como seu conceito ficou à deriva. Destarte, um sujeito chamado Marcel Duchamp, um dos maiores filhos da puta de todos os tempos, inaugurou sua "obra" em uma exposição. A propósito do trabalho, tratava-se de um mictório com uma assinatura. Em 1968, isto é, há 50 anos, Marcel Duchamp diz em entrevista para a BBC: "Pretendo contribuir para o fim da arte, a fim de que as pessoas possam abandonar a religião".

Pari passu, Duchamp possuiu seguidores mundo afora. Por conseguinte, do mictório com uma assinatura chegamos décadas mais a crianças tocando em um homem nu, imagens de pedofilia e zoofilia em museus, e, saibam, até bosta de cavalo como "obra" em uma exposição na Europa. Só para constar, Duchamp era de esquerda. Por fim, a arte banalizada esfacelou a beleza. Se não há beleza e religião, há feiura, promiscuidade e elementos que cá estamos por vivenciar. É isso.

Daniel Muzitano

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Por que chegar tem por origem dobrar?


Sem mais preâmbulos, explicá-lo-ei que há uma regra irreprochável para com o estudo de etimologia, isto é, palavras portuguesas grafadas por Ch são, por bel-prazer, irremediavelmente originárias de termos latinos que contêm um Pl inicial. Desta feita, chegar é proveniente do latim plicare. Sem embargo, sabe-se que plicare compreende a ideia de dobrar. Em resumo, qual seria o porquê de o verbo chegar ter surgido da expressão dobrar?

Conquanto seja eu caudatário da tese de Nelson Rodrigues cujo autor diz que toda unanimidade é burra, há consenso entre os etimólogos acerca da questão. Aliás, unanimidade, diga-se de passagem, é a soma do vocábulo um com o vocábulo alma, ou seja, de uma só alma. Sem mais delongas, a explicação para o verbo chegar está na linguagem náutica, haja vista o fato de que marinheiros tinham o hábito de dobrar as velas quando estavam chegando ao destino, de modo que a embarcação entrasse suavemente no porto.

Curiosidades à parte, internauta, por incrível que pareça, também advém da linguagem náutica. A título de explicação, inter- tem a noção de entre ou no meio de. Já o sufixo -nauta, que ou aquele que navega. Para tanto, internauta é o sujeito que navega no meio das redes. Doravante, creio que haja mais clareza em expressões, como, por exemplo, "navegar na internet". Por fim, a etimologia é de fato um crivo que inculca tudo e mais um pouco. É isso. 

Daniel Muzitano