Daniel Muzitano
sábado, 28 de dezembro de 2024
Descanse em paz
sábado, 9 de novembro de 2024
O glorioso sem glória
Que a história do Botafogo é parca em matéria de troféus, indubitavelmente ninguém pode negar. Aliás, mesmo que ocorra o fato bíblico de sagrar-se campeão brasileiro e da Libertadores este ano, ainda sim estará longínquo de um sem-fim de clubes. Mas, por que razão algumas pessoas tratam o alvinegro carioca como um nec plus ultra do futebol? Ter outorgado mais jogadores para a seleção justifica o escudo ser alçado a essa natureza de importância?
Do final da década de 1960 até este momento, o Botafogo conseguiu apenas dois brasileiros. Reiterando: 2 em mais de 50 anos. De mais a mais, os rebaixamentos superam esses dois triunfos. Em que lugar reside essa grandeza? Ah, venceu alguns estaduais, chegou a uma final de Copa do Brasil e está na final da Libertadores. Di-lo-ei ser muito pouco.
Fosse um tempo verbal, o Botafogo seria um futuro do pretérito: seria, faria, ganharia, conquistaria... Doravante, do ponto de vista do futebol jogado em 2024, é um clube instável emocionalmente, basta rememorar como passou pelo Palmeiras e pelo São Paulo. Entrementes, existe um aspecto por parte do alvinegro: sua superioridade física. O Botafogo sabe a hora de respirar. Porém, se perder para o Palmeiras no Brasileiro, perderá a Libertadores e o próprio Brasileiro em seguida.
Para ser sincero, estou apostando na tradição do Botafogo, que é ser minúsculo em momentos cruciais. E antes que alguns promulguem que o texto é clubista, o Vasco de 2000 foi um dos maiores times que vi na vida, e sou flamenguista. Não tenho qualquer problema em denominar de grande aquilo que é ou que foi grande. Mas, definitivamente, não é o caso do Botafogo. E talvez nunca seja. Ponto!
Daniel Muzitano
domingo, 11 de dezembro de 2022
A corte de manés
terça-feira, 30 de novembro de 2021
O estilo do idioma francês
Ultimamente, respeitando e concebendo primazia aos meus ouvidos, estou por escutar e esquadrinhar o fulgor da música francesa, mormente viva nas vozes irreprocháveis de Aznavour, Dalida, Joe Dassin, Édith Piaf, dentre outros de essência escorreita. E, vis-à-vis tais traços culturais, notei que o idioma francês está, por assim dizer, coadunado sobremodo com a etimologia.
Antes de chegar à essência do assunto, há uma miríade de palavras com procedência francesa, e, para fins de curiosidade, citá-lo-emos algumas, como, exempli gratia, garçom, vôlei, balé, boate, abajur, réveillon, couvert, champanhe, bufê, champignon, fetiche e por aí vai. O galicismo é infindável.
Feitas as aspas, chamou-me atenção o que o francês esteve por fazer com a origem do termo estilo. Robustecendo o assunto, estilo deriva do latim stilu, ou seja, ponteiro de ferro com o qual os antigos gregos e romanos escreviam sobre tabuinhas enceradas. In limine litis, pela ação de redigir, ter estilo designava a forma como você escrevia nessas tabuinhas. Por esse porquê, caneta em francês é stylo. E estilo, style. O idioma francês, com sua genialidade, apropinquou-se da etimologia, mantendo a relação dessas expressões, e, claro, suas respectivas raízes. Belo estilo!
Daniel Muzitano
sexta-feira, 24 de setembro de 2021
Mátria é a mãe
Nos atendo ao Novilíngua de 1984, de autoria de George Orwell, tem-se aí um exemplo claro de controlar a massa. Com isso, é bem óbvio que certos registros visam atender a um intento político, da mesma forma que algumas mudanças de acepção em expressões já existentes. Minudenciando um pouco o caso de mátria, eclode para confrontar um machismo inexistente que, aos olhos de um grupo, se faz atuante em pátria, por ter advindo do latim pater, logo, pai. Pátria, aos enfants gâtés, possui uma espécie de relação metonímica com a noção de pai, em prol da ideia de origem. Ao mencionar que leio Nelson Rodrigues, verbi gratia, uso o personagem para ressaltar que estou lendo seu livro. Ao frisar pátria, usufruo a lógica de pai, com o intuito outro de eu fazer referência ao sentido de nascimento.
Além disso, na perspectiva mesma do machismo, pátria é substantivo feminino, ainda que venha de pai, ou não é? No mais, a turma estapafúrdia vislumbra na classe gramatical, isto é, das palavras, a classe sexual. A mátria, como outros exemplos, é a prova ululante do baixo nível de nossos intelectuais, que parecem ociosos, sobretudo na tentativa de verem pelo em ovo. Não há aspecto mais lamentável do que um senhor, em seus quase 80 anos, não ter atingido ainda o mínimo de sua forma intelectual, brincando de "o dono da bola". E viva a pátria!
Daniel Muzitano
terça-feira, 15 de junho de 2021
Mulher-solteira e mulher solteira
Entre um café e outro, eis que aflora a informação de que a Anitta e a Luísa Sonza vituperaram, "a fortiori", uma acepção de um respectivo termo no dicionário do Google; cuja responsabilidade, por assim dizer, é da Oxford Languages. Ipso facto, o Google resolveu então satisfazê-las, formulando uma justificativa e alternando o conceito, já que são sumidades tantas na ramificação lexicográfica. Apesar de a Oxford colacionar um sem-fim de vocábulos e de possuir dedicação exclusiva à pauta, as "cantoras" parecem ter mais respaldo por parte da empresa.
Exposto o preâmbulo, uma das críticas implicava o fato de que mulher-solteira, que é expressão devidamente hifenizada, designa a famigerada prostituta. As duas e mais um tutti quanti, que não apresentam o estudo como uma primazia de vida, são seres inócuos na compreensão do sinal gráfico, aliás, sequer sabem que mulher-solteira é uma construção com limitações geográficas, utilizada por seu lado especificamente em regiões do Nordeste, como bem observa o Dicionário Caldas.
Etimologicamente falando, o hífen emana do grego hyphén, nos remetendo à condição outra de "um só corpo", "um só sentido", uma vez que serve para extirpar ambiguidades e/ou formar um novo significado, scilicet, por meio de dois ou de mais termos. Em suma, mulher solteira seria literalmente uma mulher solteira, enquanto que, com hífen, por justamente mulher e solteira terem perdido suas concepções primevas, tem-se a lógica de "prostituta". Em outras palavras, para fins de ilustração, a mulher-solteira com o sinal gráfico não nos remonta a uma mulher solteira, consoante elas pregaram.
Demais disso, mulher-solteira é expressão popular, típica da região supracitada. Sem embargo, se é para menoscabarmos o que é popular e característico de certo lugar, que tal começarmos pelas "canções" das meninas aludidas? E mais, tendo em vista suas letras apelativas que aviltam a mulher, tal como seus ritmos de cunho sobremaneira pornográfico, não seriam elas responsáveis pela mulher, por parte de alguns, ser vista como um mero adorno? O alegado machismo, que é um elemento por elas sempre criticado, não seria alimentado pelas letras deliquescentes dessas senhoritas? Enfim, frisá-lo-ei que meu estarrecimento não está concatenado ao fato de elas serem ignorantes, e sim de serem levadas a sério a ponto de possuírem poder para mudar o sentido de uma expressão. Até quando?
Daniel Muzitano
terça-feira, 30 de março de 2021
Tony Ramos e a tal da ignorância
De prólogo, para que não haja qualquer sem-razão de minha parte, que fique indubitável que o senhor Tony Ramos apresenta decerto um grau significativo de cultura; sendo, de alguma maneira, um homem de predicados inegáveis em matéria teatral. Afora o exposto, impressiona-me sua vileza, não quero crer em mau-caratismo, ao tratar o tema da vacina como uma simples sentença dual, ou seja, quem critica qualquer vacina em vigor é, sem exceção outra, um ignorante ou algo com certa similitude.
Pois bem, nas fífias estrambólicas e néscias do ator, temos que ignorar a história completa de todas as vacinas, de maneira que nunca uma vacina que tenha se mostrado eficiente foi oferecida contendo menos de 3 anos de experimentações. Reitero, nunca! In verbis, ainda vale a reminiscência de que 3 anos é um tempo rápido e demasiado otimista. Assim, apesar disso, temos que acreditar, porque o Tony Ramos assim deseja, que desta vez foi diferente.
Em outras palavras, o que quero ressaltar é que ninguém em sã consciência será contra uma vacina, desde que sejam mostrados os pormenores da fabricação, e, com máxima clareza, que sejam fornecidos os fatores que venham a aclarar o porquê de essas em vigor terem sido produzidas de modo tão célere. Ignorante, caro Tony, é o sujeito que se dispõe a ser vacinado, ao menos sem que essas dúvidas sejam sanadas. Aliás, o prefixo i- vai ao encontro de negação, gnorare, em latim, de saber. Ah, mas ele estava chorando. Sim, só que as lágrimas, como promulgou Machado de Assis, não são argumentos. A bem dos fatos, elas podem ser tão-somente elementos interpretativos; ramificação, essa, que o exímio ator tão bem domina. No mais, ao defender a ciência, o dito-cujo não cita estudos, cientistas, e, em vez disso, deixa-nos um choro fósmeo e irresponsável. Tony, essa foi a tua pior atuação.
Daniel Muzitano
sexta-feira, 8 de janeiro de 2021
Não seja amigo do seu filho
A contrario sensu do que supõe um sem-fim de responsáveis, deve haver manifesta dissociação entre ser pai e ser amigo. Desse modo, não se pode olvidar de que ser amigo de um filho significa estar ao par, ter valor igual com relação a ele, o que por sua vez implica uma perda irrefutável de autoridade paterna ou materna. A bem da lógica, a mãe ou o pai autodenominado de "melhor amigo do próprio filho", sem margem para qualquer dúvida, formá-lo-á um adulto sem limites, cujo principal amigo, o pai, concebe salvo-conduto a todas as irresponsabilidades e aos erros do respectivo filho.
Imposto o exposto, ninguém deve obrigatoriamente respeito a amigo, tampouco uma fulcral e irreprochável obediência. Já ao pai, seguramente. Ademais, se o pai é apenas um amigo, no momento em que contrair uma doença grave, por exemplo, indubitavelmente a chance de ser largado pelo filho será descomunal, muito maior por assim dizer, e nos tempos de hoje é comum presenciarmos essa triste cena, afinal, trata-se apenas de um amigo.
Como intento último, essa postagem visa tão-somente à melhora quanto ao amadurecimento das próximas gerações, fadadas hoje à eterna puerilidade, e muito por conta desse equivocado raciocínio dos pais, bem como a abrir os olhos daqueles que se importam com suas crias, seus rebentos. Em suma, amigo não cobra, não tem a obrigação de educar, e por isso às vezes é esquecido. Que haja harmonia e respeito na relação entre pai e filho, mas nunca o sentido envilecido de amizade. Não seja amigo do seu filho. Seja pai!
Daniel Muzitano
quinta-feira, 10 de dezembro de 2020
Nota sobre o boicote e a censura de hoje
terça-feira, 1 de dezembro de 2020
O fanatismo à guisa da Argentina
sexta-feira, 25 de setembro de 2020
Antitabagismo, o elemento ditatorial
segunda-feira, 3 de agosto de 2020
No faz-de-conta do Novo Acordo
domingo, 19 de julho de 2020
O pascácio conceito de cultura
sexta-feira, 3 de julho de 2020
O crime impretérito
Nota e esclarecimento sobre o vídeo que fiz envolvendo o "combate" ao racismo
Embora eu tenha recebido alguns elogios e algumas críticas legais, é de lamentar o nível civilizatório e intelectual da maioria, aquela que precisamente me vituperou como bem é sabido. Tenho consciência de que o tema é delicado, tentei ser circunspecto ao máximo, porém infelizmente a grande maioria não possui o mínimo dos pré-requisitos para um debate sadio. Dentre os erros, vi gente confundindo etimologia com significado, escrevendo etimologia com "t" mudo, talvez, se me permitem a piada, por influência da palavra etnocentrismo, e outros detalhes mais.
Em suma, devido ao analfabetismo funcional de diversos professores e à incapacidade de muitos na averiguação diacrônica da língua, faz-se impossível a abordagem de um tema mais complexo, cuja presença de holofotes é gritante. Dito isso, evitarei perambular por pautas mais amplas, haja vista que voltarei a me limitar à divulgação dos étimos dos vocábulos. Às vezes, por pura bondade e ingenuidade, tenho a esperança de que serei compreendido. Que erro!
terça-feira, 26 de maio de 2020
A culpa é do café vespertino
Visto no português como um "resultado positivo" por boa parte dos brasileiros, o sucesso, grafado na Espanha com um "s", designa tão-somente um acontecimento, mais das vezes de cunho ruim. Entrementes, levando em conta seus direcionamentos divergentes, ambos partiram da mesma lógica, a de algo que se sucedeu, que aconteceu.
Assim, promulga a Real Academia Espanhola: "Cosa que sucede, especialmente cuando es de alguna importancia". Ao mesmo encontro, ressalta o Priberam: "Aquilo que sucede, que acontece". Resumindo, deparei-me com o sucesso na aula de espanhol, comparei as evoluções e, por fim, usei a expressão mutatis mutandis para apontar a relação. Definitivamente, aos olhos do mundo, não sou um homem normal. Porém, a culpa é do café vespertino.
segunda-feira, 20 de abril de 2020
O farisaísmo dos sócios da quarentena
De mais a mais, o suposto bem-estar e a suposta preservação da saúde, considerando notícias de bancarrota de grandes empresas, demissões em massa, desculpa para soltar bandidos etc, não mais são lógicos. Não por acaso, o latim tem a expressão lata culpa, que remonta à acepção de negligência excessiva, por sua vez solevantando que a irresponsabilidade dos sócios da quarentena será nitidamente cara.
Por fim, no transitar dos tempos, di-lo-ei que achei meu propósito de vida, portanto, as correções, as transcrições, as aulas: quefazeres que hoje, devido à realidade produzida pelos sócios do terror, não mais fazem parte do meu vezo. Em suma, antes alguns mortos de corona a todos de fome. Com isso, precisamos trabalhar e enfim mostrar a indignação aos falsários de plantão.
quarta-feira, 18 de março de 2020
Vamos propalar cultura?
Nesse sentido, estive a rememorar o étimo do verbo pagar. Assim, pelo consenso de todos, ou omnium consensu, pagar nasce da palavra latina pacare, ou seja, apaziguar. Com isso, inicialmente, no momento em que o sujeito pagava, abrandava por sua vez a fúria do credor.
Demais disso, um termo outro que adquiriu uma evolução pouco trivial foi o substantivo palestra, do grego palaístra, qual seja, lugar onde eram realizados exercícios físicos, lutas, instruções verbais e embate de ideias; daí, logo, a acepção de conferência sobre determinado assunto. Em vez de dramas infantis, vamos propalar cultura.
sexta-feira, 13 de março de 2020
Acordo de somenos
Ainda que eu já tenha enfatizado o meu amplo contempto pelo Novo Acordo, sempre que ouço ou leio a expressão pai dos burros, estua em mim uma espécie de crítica interna, de maneira que me sinto no dever de proliferar meu extremo descontentamento. Antes de vir à tona o abjeto Acordo e de ele estiolar a nossa alma, havia uma distinção entre pai dos burros, literalmente pai dos burros, e o pai-dos-burros devidamente hifenizado, fazendo as vezes de dicionário. Conseguintemente, não havia qualquer possibilidade de ambiguidade em construções quaisquer.
De mais a mais, nota-se que os "sábios" da nova regra rejeitaram, impreterivelmente, as funções primordiais do hífen, isto é, extirpar ambiguidades e/ou produzir um novo sentido, um novo corpo, mediante dois ou mais termos. Para tanto, vale lembrar de que hífen deriva do grego hýphen, logo, um só corpo. Com isso, a fim de esmiuçarmos a necedade do novo texto, cujo pai é o falecido Antônio Houaiss, vamos a um exemplo: "o pai dos burros faleceu".
Refiro-me ipsis litteris (literalmente) ao pai dos burros ou ao dicionário? Graças ao Novo Acordo, pois bem, não conseguimos ter essa ciência. Em síntese, batizo o Novo Acordo, sem ter o intento da crítica gratuita, de delirium tremens, expressão de origem latina e que é compreendida como delírio de um alcoólatra. Delírio de um alcoólatra é uma belíssima anadiplose para findarmos esse texto heroico; palavra, logo, que deixou de ter importância, afinal, também graças ao Novo Acordo, perdeu sua vida, seu respectivo acento. Hasta pronto.
Daniel Muzitano
quarta-feira, 4 de março de 2020
Por que ninguém comenta sobre Queísmo e Dequeísmo?
Dessa forma, consoante o Michaelis, queísmo seria a "omissão da preposição "de" antes da conjunção subordinativa integrante "que", quando, pela regência do verbo, na linguagem padrão, ela é exigida". Assim, não é incomum ouvirmos na rua, por exemplo, que "fulana gosta que fale dele". Grosso modo, quem gosta, gosta de, isto é, o apropriado seria dizer "fulana gosta de que fale dele".
A bem da lógica, o queísmo é o equívoco regencial que enfatiza o "que" e rejeita o "de", embora a preposição seja solicitada pelo verbo. Quanto ao dequeísmo, também de acordo com o Michaelis, é classificado como "emprego da preposição "de", sem função sintática e dispensável, antes da conjunção "que", em determinadas orações.
Pari passu, seria como dizer algo do tipo "percebo de que fiz isso". Em suma, eu não percebo de algo, e sim algo. Em outras palavras, o dequeísmo é um solecismo regencial que dá ênfase ao "de", ainda que o verbo não o peça. Fôssemos um país decente, queísmo e dequeísmo estariam em nossa base curricular. Porém, na cabeça de alguns, o barato é o culto às necedades do Novo Acordo. Eu faço a minha parte. Uma boa-noite a todos.
Daniel Muzitano















