sábado, 28 de dezembro de 2024

Descanse em paz


Soube neste momento de que o Doutor Gilberto Mendonça Teles faleceu no início deste mês. Para mim, era o nec plus ultra da minha área, uma mente brilhante, com um sem-fim de predicados. Se ainda não desisti da profissão, que é mais das vezes injusta, remunerando aquém, o mérito é dele.
E como sói ocorrer, não irei aqui esbater a grande mídia, que esqueceu de um nome tão marcante academicamente. Aliás, o único veículo que noticiou o falecimento do Doutor Gilberto foi o Jornal Opção, que é desconhecido, porém digno de nota.
Conheci o professor Gilberto lá em 2016, quando achei que pudesse ter dinheiro para fazer um mestrado na PUC. Eu era um sonhador. À época, mandei um e-mail para mais de cem professores e ele foi o único que aceitou conhecer a minha tese, que dizia respeito à inserção da etimologia no processo de alfabetização.
Depois da primeira conversa, topou me orientar. Percebi, naquele momento, que eu não tinha qualquer referência intelectual na área de etimologia. Foi ele quem me apresentou o Antenor Nascentes, o Antônio Geraldo da Cunha, as obras etimológicas do Platão, Rocha Pombo, Mansur Guérios e um tutti quanti.
Outrossim, foi ele o sujeito que sugeriu que eu fizesse um dicionário de etimologia, até hoje em curso, talvez em 2060 eu termine. Generosamente, disse que a etimologia precisava de mim, pois andava sem autores capacitados. Não há diploma algum que valha mais do que isso.
Conversamos algumas vezes pessoalmente, todas em Copacabana, onde residia, a fim de tratarmos de documentos da tese e a tese propriamente dita. Com o tempo e o advento da pandemia, perdemos um pouco o contato. Entretanto, ainda sim trocávamos e-mails. É certo de que já possuía seus 93 anos, o que é bastante, mas um cara dessa têmpera não podia morrer. Aliás, não vai morrer jamais. Doutor, guardarei com bastante respeito a foto que tiramos e o livro que você autografou.
Obrigado por ter levado a sério intelectualmente aquele moleque maluco que gravava os étimos e já se achava um Doutor Gilberto. Um dia, se Deus me der tempo, dinheiro e força, eu termino o nosso projeto. Um abraço, professor. Um dia a gente se vê.


Daniel Muzitano

sábado, 9 de novembro de 2024

O glorioso sem glória


Que a história do Botafogo é parca em matéria de troféus, indubitavelmente ninguém pode negar. Aliás, mesmo que ocorra o fato bíblico de sagrar-se campeão brasileiro e da Libertadores este ano, ainda sim estará longínquo de um sem-fim de clubes. Mas, por que razão algumas pessoas tratam o alvinegro carioca como um nec plus ultra do futebol? Ter outorgado mais jogadores para a seleção justifica o escudo ser alçado a essa natureza de importância? 

Do final da década de 1960 até este momento, o Botafogo conseguiu apenas dois brasileiros. Reiterando: 2 em mais de 50 anos. De mais a mais, os rebaixamentos superam esses dois triunfos. Em que lugar reside essa grandeza? Ah, venceu alguns estaduais, chegou a uma final de Copa do Brasil e está na final da Libertadores. Di-lo-ei ser muito pouco. 

Fosse um tempo verbal, o Botafogo seria um futuro do pretérito: seria, faria, ganharia, conquistaria... Doravante, do ponto de vista do futebol jogado em 2024, é um clube instável emocionalmente, basta rememorar como passou pelo Palmeiras e pelo São Paulo. Entrementes, existe um aspecto por parte do alvinegro: sua superioridade física. O Botafogo sabe a hora de respirar. Porém, se perder para o Palmeiras no Brasileiro, perderá a Libertadores e o próprio Brasileiro em seguida.

Para ser sincero, estou apostando na tradição do Botafogo, que é ser minúsculo em momentos cruciais. E antes que alguns promulguem que o texto é clubista, o Vasco de 2000 foi um dos maiores times que vi na vida, e sou flamenguista. Não tenho qualquer problema em denominar de grande aquilo que é ou que foi grande. Mas, definitivamente, não é o caso do Botafogo. E talvez nunca seja. Ponto!

Daniel Muzitano

domingo, 11 de dezembro de 2022

A corte de manés

Na tarde de ontem, precisamente no ínterim de um café e doutro, tomei conhecimento do propósito bocório dos membros do TSE, qual seja, banir um sem-número de palavras e de expressões que, aos olhos do grupo, possuem origem racista. Antes de tudo, vale lembrar acá de que o TSE e o STF são acrônimos iguais, pois os personagens são os mesmos. Sem embargo, vamos à questão iracunda.

A bem da lógica, afirmo que nem uma palavra sequer é racista, e sim sua aplicação e seu tom. Grosso modo, posso chamar uma mulher de "neguinha" sendo extremamente carinhoso ou sobremaneira racista. Ou seja, o TSE não tem por intento combater o racismo, mas sim controlar a sociedade, em vista de que o fito é lançar uma adaptação do dicionário Novilíngua, presente na obra 1984, cuja autoria é de George Orwell.

Opere citato, há um partido único que exclui ou ressignifica vocábulos, de acordo com as políticas ditatoriais de seu respectivo interesse. Afora o fato, isso trazia ao idioma uma pobreza vocabular, e, cá entre nós, os termos evoluem, perdem seus sentidos originais e pouquíssimos no Brasil têm ciência da procedência de qualquer palavra. Por exemplo, "mulata" vem de mula. Hodiernamente, alguém usa esse substantivo ou adjetivo fazendo alusão a uma mula?

Em suma, ainda cito um fato que comprova que os cérebros dos ministros do STF são de somenos. Infelizmente, todos eles são depauperados intelectualmente, sobretudo os senhores Alexandre de Moraes e Barroso, uma vez que tudo que abordo aqui é um bê-á-bá acadêmico. Ademais, o próprio Barroso, que já foi advogado de terrorista (Cesare Battisti) e amigo íntimo de estuprador (João de Deus), em sua célebre frase "Perdeu, mané", apropria-se de um preconceito etimológico. Afinal, "mané" advém de "Manoel", que gerou "Manel", evoluindo, por sua vez, para "mané".

Portanto, está caracterizado um preconceito contra o povo português de modo geral, simbolizado na figura do nome próprio "Manoel". Aos que não sabem, "mané" vai ao encontro de "pessoa tola". Por fim, os senhores ministros deveriam arrumar o que fazer, em vez de brincarem de verdade ou consequência, inventando leis pueris para perseguir pessoas que nada fizeram. Um abraço à corte dos manés, aos pascácios da toga.

Daniel Muzitano

terça-feira, 30 de novembro de 2021

O estilo do idioma francês

Ultimamente, respeitando e concebendo primazia aos meus ouvidos, estou por escutar e esquadrinhar o fulgor da música francesa, mormente viva nas vozes irreprocháveis de Aznavour, Dalida, Joe Dassin, Édith Piaf, dentre outros de essência escorreita. E, vis-à-vis tais traços culturais, notei que o idioma francês está, por assim dizer, coadunado sobremodo com a etimologia. 

Antes de chegar à essência do assunto, há uma miríade de palavras com procedência francesa, e, para fins de curiosidade, citá-lo-emos algumas, como, exempli gratia, garçom, vôlei, balé, boate, abajur, réveillon, couvert, champanhe, bufê, champignon, fetiche e por aí vai. O galicismo é infindável.

Feitas as aspas, chamou-me atenção o que o francês esteve por fazer com a origem do termo estilo. Robustecendo o assunto, estilo deriva do latim stilu, ou seja, ponteiro de ferro com o qual os antigos gregos e romanos escreviam sobre tabuinhas enceradas. In limine litis, pela ação de redigir, ter estilo designava a forma como você escrevia nessas tabuinhas. Por esse porquê, caneta em francês é stylo. E estilo, style. O idioma francês, com sua genialidade, apropinquou-se da etimologia, mantendo a relação dessas expressões, e, claro, suas respectivas raízes. Belo estilo!

Daniel Muzitano


sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Mátria é a mãe



Para gáudio dos que pensam, cá estou em nova oportunidade, desafiando o papel em branco, como soía outrora ocorrer. Neste então, abordá-lo-emos o registro desnecessário da palavra "mátria" em quase todos os dicionários, inclusive o da Academia Brasileira de Letras, vejam vocês. Neste comenos, o ponto de partida será a conceituação do respeitado Priberam, a fim de depreendermos melhor o que se passa na inserção desse termo: "Designação dada à pátrianuma perspectiva feminina ou feminista". Dessarte, nota-se que o surgimento do substantivo e sua definição atendem a uma predileção político-ideológica; não passando, portanto, pelo trâmite natural da língua. Sem prejuízo dos fatos, o caminho para uma promulgação léxica, insofismavelmente, passa pela consolidação da fala popular, menoscabada por todos e pelo então Caetano Veloso; inventor, ao que parece, dessa construção. 

Nos atendo ao Novilíngua de 1984, de autoria de George Orwell, tem-se aí um exemplo claro de controlar a massa. Com isso, é bem óbvio que certos registros visam atender a um intento político, da mesma forma que algumas mudanças de acepção em expressões já existentes. Minudenciando um pouco o caso de mátria, eclode para confrontar um machismo inexistente que, aos olhos de um grupo, se faz atuante em pátria, por ter advindo do latim pater, logo, pai. Pátria, aos enfants gâtés, possui uma espécie de relação metonímica com a noção de pai, em prol da ideia de origem. Ao mencionar que leio Nelson Rodrigues, verbi gratia, uso o personagem para ressaltar que estou lendo seu livro. Ao frisar pátria, usufruo a lógica de pai, com o intuito outro de eu fazer referência ao sentido de nascimento. 

Além disso, na perspectiva mesma do machismo, pátria é substantivo feminino, ainda que venha de pai, ou não é? No mais, a turma estapafúrdia vislumbra na classe gramatical, isto é, das palavras, a classe sexual. A mátria, como outros exemplos, é a prova ululante do baixo nível de nossos intelectuais, que parecem ociosos, sobretudo na tentativa de verem pelo em ovo. Não há aspecto mais lamentável do que um senhor, em seus quase 80 anos, não ter atingido ainda o mínimo de sua forma intelectual, brincando de "o dono da bola". E viva a pátria! 

 Daniel Muzitano

terça-feira, 15 de junho de 2021

Mulher-solteira e mulher solteira

 


Entre um café e outro, eis que aflora a informação de que a Anitta e a Luísa Sonza vituperaram, "a fortiori", uma acepção de um respectivo termo no dicionário do Google; cuja responsabilidade, por assim dizer, é da Oxford Languages. Ipso facto, o Google resolveu então satisfazê-las, formulando uma justificativa e alternando o conceito, já que são sumidades tantas na ramificação lexicográfica. Apesar de a Oxford colacionar um sem-fim de vocábulos e de possuir dedicação exclusiva à pauta, as "cantoras" parecem ter mais respaldo por parte da empresa.

Exposto o preâmbulo, uma das críticas implicava o fato de que mulher-solteira, que é expressão devidamente hifenizada, designa a famigerada prostituta. As duas e mais um tutti quanti, que não apresentam o estudo como uma primazia de vida, são seres inócuos na compreensão do sinal gráfico, aliás, sequer sabem que mulher-solteira é uma construção com limitações geográficas, utilizada por seu lado especificamente em regiões do Nordeste, como bem observa o Dicionário Caldas.

Etimologicamente falando, o hífen emana do grego hyphén, nos remetendo à condição outra de "um só corpo", "um só sentido", uma vez que serve para extirpar ambiguidades e/ou formar um novo significado, scilicet, por meio de dois ou de mais termos. Em suma, mulher solteira seria literalmente uma mulher solteira, enquanto que, com hífen, por justamente mulher e solteira terem perdido suas concepções primevas, tem-se a lógica de "prostituta". Em outras palavras, para fins de ilustração, a mulher-solteira com o sinal gráfico não nos remonta a uma mulher solteira, consoante elas pregaram.

Demais disso, mulher-solteira é expressão popular, típica da região supracitada. Sem embargo, se é para menoscabarmos o que é popular e característico de certo lugar, que tal começarmos pelas "canções" das meninas aludidas? E mais, tendo em vista suas letras apelativas que aviltam a mulher, tal como seus ritmos de cunho sobremaneira pornográfico, não seriam elas responsáveis pela mulher, por parte de alguns, ser vista como um mero adorno? O alegado machismo, que é um elemento por elas sempre criticado, não seria alimentado pelas letras deliquescentes dessas senhoritas? Enfim, frisá-lo-ei que meu estarrecimento não está concatenado ao fato de elas serem ignorantes, e sim de serem levadas a sério a ponto de possuírem poder para mudar o sentido de uma expressão. Até quando?   

Daniel Muzitano

terça-feira, 30 de março de 2021

Tony Ramos e a tal da ignorância


De prólogo, para que não haja qualquer sem-razão de minha parte, que fique indubitável que o senhor Tony Ramos apresenta decerto um grau significativo de cultura; sendo, de alguma maneira, um homem de predicados inegáveis em matéria teatral. Afora o exposto, impressiona-me sua vileza, não quero crer em mau-caratismo, ao tratar o tema da vacina como uma simples sentença dual, ou seja, quem critica qualquer vacina em vigor é, sem exceção outra, um ignorante ou algo com certa similitude.

Pois bem, nas fífias estrambólicas e néscias do ator, temos que ignorar a história completa de todas as vacinas, de maneira que nunca uma vacina que tenha se mostrado eficiente foi oferecida contendo menos de 3 anos de experimentações. Reitero, nunca! In verbis, ainda vale a reminiscência de que 3 anos é um tempo rápido e demasiado otimista. Assim, apesar disso, temos que acreditar, porque o Tony Ramos assim deseja, que desta vez foi diferente.

Em outras palavras, o que quero ressaltar é que ninguém em sã consciência será contra uma vacina, desde que sejam mostrados os pormenores da fabricação, e, com máxima clareza, que sejam fornecidos os fatores que venham a aclarar o porquê de essas em vigor terem sido produzidas de modo tão célere. Ignorante, caro Tony, é o sujeito que se dispõe a ser vacinado, ao menos sem que essas dúvidas sejam sanadas. Aliás, o prefixo i- vai ao encontro de negação, gnorare, em latim, de saber. Ah, mas ele estava chorando. Sim, só que as lágrimas, como promulgou Machado de Assis, não são argumentos. A bem dos fatos, elas podem ser tão-somente elementos interpretativos; ramificação, essa, que o exímio ator tão bem domina. No mais, ao defender a ciência, o dito-cujo não cita estudos, cientistas, e, em vez disso, deixa-nos um choro fósmeo e irresponsável. Tony, essa foi a tua pior atuação.


Daniel Muzitano

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Não seja amigo do seu filho



A contrario sensu do que supõe um sem-fim de responsáveis, deve haver manifesta dissociação entre ser pai e ser amigo. Desse modo, não se pode olvidar de que ser amigo de um filho significa estar ao par, ter valor igual com relação a ele, o que por sua vez implica uma perda irrefutável de autoridade paterna ou materna. A bem da lógica, a mãe ou o pai autodenominado de "melhor amigo do próprio filho", sem margem para qualquer dúvida, formá-lo-á um adulto sem limites, cujo principal amigo, o pai, concebe salvo-conduto a todas as irresponsabilidades e aos erros do respectivo filho.

Imposto o exposto, ninguém deve obrigatoriamente respeito a amigo, tampouco uma fulcral e irreprochável obediência. Já ao pai, seguramente. Ademais, se o pai é apenas um amigo, no momento em que contrair uma doença grave, por exemplo, indubitavelmente a chance de ser largado pelo filho será descomunal, muito maior por assim dizer, e nos tempos de hoje é comum presenciarmos essa triste cena, afinal, trata-se apenas de um amigo.

Como intento último, essa postagem visa tão-somente à melhora quanto ao amadurecimento das próximas gerações, fadadas hoje à eterna puerilidade, e muito por conta desse equivocado raciocínio dos pais, bem como a abrir os olhos daqueles que se importam com suas crias, seus rebentos. Em suma, amigo não cobra, não tem a obrigação de educar, e por isso às vezes é esquecido. Que haja harmonia e respeito na relação entre pai e filho, mas nunca o sentido envilecido de amizade. Não seja amigo do seu filho. Seja pai!

Daniel Muzitano


quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Nota sobre o boicote e a censura de hoje

Às mentes frívolas que denunciaram um vídeo meu e ao burlesco Facebook, que as acatou respectivamente, não conseguirei olvidá-los por hoje, ainda que vocês sequer saibam a acepção desse verbo. Aliás, de igual modo é impossível concordar com vocês, haja vista que a concordância, considerando a mensagem que recebi da empresa, é ponto outro lânguido na mente da direção da marca.
Exórdios à parte, simpliciter quero me pronunciar como alguém que não faz o que faz por diploma. Diferentemente dos professores que tiraram meu vídeo do ar, ou melhor, dos palúrdios que estão por soltar barritos, por sua vez travestidos de docentes, tive, à base de muito esforço e de muita sabedoria, todas as teses que corrigi em minha vida aprovadas, todos os alunos, pelos menos os que levaram meu ensinamento até o final, aprovados. Corrigi vários livros com êxito, tenho também uma produção de conteúdo etimológico descomunal via Youtube.
Fora tudo isso, corrigi teses no Português de Portugal, em breve serei revisor também em Espanhol, estou elaborando um dicionário etimológico que ninguém no Brasil, ainda mais com tímidos 29 anos, idade essa que dei início ao projeto, tem condição, sem contar minha contribuição para um dicionário de Portugal. Tornei-me pós-graduado com 25 anos, poucos podem dizer isso no Brasil. Enfim, reporto que é sine qua non que não escrevo buscando o respeito da classe de docentes, tampouco espero que o comportamento dos senhores mude. Articulei essas palavras para ressaltar tão-somente o meu desejo de que continuem, que apaguem outros vídeos meus. Agora, o que vocês nunca poderão apagar é a minha história. E isso vocês não são dignos de ter.

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

O fanatismo à guisa da Argentina


O óbito de Maradona, a pari com os de Carlos Gardel e de Eva Perón, aclara o âmago nacionalista presente no povo argentino, que trata seus nomes a título de deuses, conquanto isso lhe traga deteriorações infindáveis. Por exemplo, citá-lo-emos Che Guevara, um argentino psicopata, autor de brutalidades de toda ordem, declaradas por seus próprios ex-companheiros de batalha, que podem ser assistidas por sua vez no documentário "Anatomia de um mito".

Pelo fato de ele ser argentino e famoso, suas perseguições e seus crimes, apresentados com elevada solércia e glamourização por setores relevantes, a aludir, por exemplo, a classe artística, são mais do que justificados, afinal, ele é argentino. Se Maradona e Eva são deuses, Che Guevara, tatuado no braço do primeiro, e Juan Domingo Perón, ex-presidente e marido de Eva, serão amiúde vistos como referências, pois os deuses não se equivocam em suas escolhas.

Destarte, é sine qua non reportarmos que esse comportamento, caracterizado por uma ovação pueril, inconteste, catingosa e estulta, explica o porquê da insistência por escolhas políticas infelizes, acarretando a exacerbação cada vez mais nítida da fome no país. Em outros termos, o argentino é acentuado pelo nacionalismo fanático e pela pesporrência incólume, que faz viva naquele que é incapaz de rever e de aprender com seus erros.

Nesse sentido, o gol de mão de Maradona, à frente daquele cujo jogador dribla toda a Inglaterra, demonstra que a malandragem, à similitude do que acontece no Brasil macunaímico, foi, indubitavelmente, a consolidação do "tudo em nome da causa". A bem da lógica, Lionel Messi, em todos os números e perspectivas, vence Maradona de longe; sendo, a saber, melhor do que Diego. Entrementes, ser melhor não implica ser maior, e é esse o ponto-chave da conversa.

Por fim, mesmo depois de decênios da morte de Gardel, os argentinos dizem que ele canta, todas as manhãs, cada vez melhor. Portanto, remontar Deus na figura de um homem tem lá seus malefícios para o próprio homem, de modo que as drogas e a bebida podem ser mencionadas no caso de Diego. Todavia, se a nação trabalha para que o mérito e o talento sejam religiões acima de tudo, ela não cresce, não progride e vive a repetir as suas deploráveis certezas, posto que Deus é intocável. É como dizia o Borges, célebre escritor e outro argentino, "a dúvida é um dos nomes da inteligência". Grosso modo, com seus diversos senões e suas nimiedades ínfimas, Maradona era um talento. Deus, na melhor das hipóteses, só pode ser comparado a santos; caso, exempli gratia, de João Paulo II. Fim!

Daniel Muzitano

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Antitabagismo, o elemento ditatorial

Como sói ocorrer antes do proferimento de qualquer texto, refleti se valeria a pena abordar o assunto em questão, sem imergir em polidas tergiversações. Em instância primeva, não fumo e não tenho a menor vontade de cometer tal despautério, embora recomende, como Nelson Rodrigues, que o homem deve manter ao menos um vício, sobretudo num lugar como o Rio de Janeiro, repleto por sua vez de um sem-número de imbecis.

Assim exposto, o antitabagismo começa com o fim das propagandas de cigarro e com os anúncios dos males do tabaco em suas respectivas embalagens. Mutatis mutandis, o enredo passa para a determinação de uma área especial para não fumantes, trafega pela proibição do fumo em ambientes dos mais diversos e termina com o aumento triplicado dos planos de saúde àqueles que têm esse vício. Fossem efetuadas todas essas ações de uma só vez, indubitavelmente a sociedade perceberia como uma imposição, algo ditatorial, certo?

Dentre muitos, o cigarro foi o elemento selecionado, a fim de que contivesse o apoio moral e cego da direita, diga-se, principalmente da igreja, para uma tentativa de imposição em outros setores. O homossexualismo, por exemplo, não mais é hoje, como era originariamente, uma opção sexual. Hodiernamente, é uma bandeira política, uma forma até mesmo de ascensão profissional; ou ninguém sobe na vida alegando que perdeu um emprego por ser gay?

Nesse sentido, o racismo, o feminismo, a arte, a educação: tudo, outrossim ao antitabagismo, foi posto em prática aos poucos, atendendo aos anseios da esquerda mundial. Por corolário, chega-se agora à liberdade de expressão, ou não temos medo de perder emprego, amigos, até mesmo uma relação amorosa ou algo afim, por aquilo que opinamos nas redes? A origem do plano, estou chegando ao fim, é nada menos do que "No caminho", texto do suicida Maiakovski, sujeito que se matou depois de descobrir que defendeu um regime sanguinário a vida inteira, isto é, o comunismo.

In terminis, pode alguém perguntar: mas e a questão da saúde? Pois bem, o tráfico de cigarros aumentou, e isso gera sempre mais mortes, e os filmes, patrocinados mais das vezes pelo governo mundial de esquerda, que é quem em tese pregou a "saúde", seguiram fazendo propagandas indiretas ao vício; ou o Dicaprio fumando em um filme não é um estímulo? Porém, pela ação ditatorial, você, joão-ninguém, só pode fumar em casa. Aliás, que tal o "fique em casa"? Que os processos comecem!

Daniel Muzitano

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

No faz-de-conta do Novo Acordo

Malgrado eu vitupere praticamente sozinho as necedades afora do Novo Acordo, meu intento outro é sempre o da opulência vocabular. Percebida por mim neste hoje, a ação mentecapta produzida pelos adeptos da Nova Reforma, adjetivada por qualquer alma lógica como um tremendo quiproquó, está na falta de hífen quanto à expressão faz-de-conta, pelo menos quando a dita-cuja faz as vezes de fantasia, imaginação, fingimento e similitudes afins.

No faz-de-conta do Novo Acordo, entendam como fingimento ou mesmo como fantasia, não há o sinal gráfico. O hífen, embora os "doutos" não saibam, pretende extirpar ambiguidades e/ou formar um novo corpo, um novo sentido, por meio de dois ou de mais vocábulos. Não à toa, na construção "faz de conta que isso existe", a saber, é insofismável a sua noção literal, ou seja, o hífen é dispensável. Porém, no preâmbulo desse parágrafo, a situação é outra, pois, como asseverei, existe um novo sentido presente. Em suma, houve a eliminação de ambiguidade, e, incorporada a roupagem de fingimento, por exemplo, há outrossim a criação de um corpo no chamado faz-de-conta.

Por fim, será que é tão difícil para a Academia enxergar isso? Chega a ser um desdouro intelectual essa cegueira abrupta, isso para ser muito respeitoso, posto que hoje acordei com certa alacridade. Esse Acordo, é preciso que alguém diga, foi feito para fins políticos, caracterizado por seu turno como uma norma absolutamente analfabeta, execrável, digna de lamúria e de reproche por assim dizer.

Daniel Muzitano

domingo, 19 de julho de 2020

O pascácio conceito de cultura

Malgrado o fato de eu compreender a cultura como um processo quase que onímodo, preservando evidentemente a moral e o bom vezo, nossa Constituição não a vê nesse viés, haja vista que determina como cultura qualquer expressão do modo de vida do brasileiro. Assim, ante esse nacionalismo néscio, tem-se o funk como uma expressão do modo de vida do povo brasileiro, isto é, como cultura, ao passo que um Chopin, não enquadrado nesse título, passou a ser ignorado e tratado como algo de somenos, irrelevante por assim dizer.
Exposto o cenário, Ernesto Nazareth e João Pernambuco, dois gênios de classe sem igual, apesar de brasileiros, não constituem em sua obra um modo de expressão nacional, e, portanto, são igualmente apagados enquanto referência. Por outro lado, o Rappa e o Marcelo D2, por pior que ela seja, configuram uma expressão do povo brasileiro; estando à frente, em nossa Constituição, por exemplo, do Raphael Rabello.
In terminis, nossa lastimável Constituição legifera, mais das vezes, a favor da banalidade artística nacional, em prol de qualquer alma que revele qualquer ponto do Brasil. Eis aí um dos muitos porquês de estarmos imersos na podridão hodierna. É claro que o Noel Rosa e o Cartola, e muitos outros nomes relevantes, estão dentro de nossa lei cultural, porém é igualmente notório que o conceito é pascácio, pois tanto um quanto o outro são muito maiores do que "uma manifestação da expressão nacional". Em suma, até o que é muito bom e preservado nos anais da história, a saber, fica diminuído e ridicularizado. O conceito é torpe. Precisamos da alta cultura.
Daniel Muzitano

sexta-feira, 3 de julho de 2020

O crime impretérito

Empós de respostas não tão alongadas, e não haverá evidentemente consensus omnium em tal questão, ousá-lo-ei questionar se estamos por vivenciar a era do crime de pensamento, citado de modo iniludível e erudito por George Orwell, respectivamente na obra de 1984. Caros, amiúde tenho que pensar se posto ou não um conteúdo, se falo um não de certo tema, o que posso perder ou não com uma simples postagem: tudo hoje é vigiado, passível de insultos e de perdas.
Desse modo, pensar é crime imperioso, provavelmente com punição imprescritível e inafiançável. Ontem, paulatinamente, ao longo do dia, estava decidido: farei um post sobre os personagens de Bolaños. Hoje, imaginando as críticas, provavelmente vão politizar o vídeo, tecer insultos, e, o que é mais lamentável, vão indubitavelmente rejeitar as referências filosóficas aludidas e o que o Bolaños tinha a nos oferecer. Em nome da promoção vitimista, deu-se no país uma ignorância, a fabricação de pessoas politicamente taradas; enxergando, com total esforço, política ou ato racista até em rótulos de shampoo.
Dado o exposto, como posso arriscar uma pauta? Que segurança tenho de que não perderei profissionalmente? Dependendo de suas orientações e valores, que conclusão outra posso chegar, senão a de que pensar é crime impretérito...? E paremos por aí, pois os mais revoltados já estão por reclamar.
Daniel Muzitano

Nota e esclarecimento sobre o vídeo que fiz envolvendo o "combate" ao racismo

Publiquei um vídeo esta semana sobre o que, a pretexto de um suposto combate ao racismo, estão fazendo com a arte e com certos estudos. Dessa forma, procurei ser respeitoso, civilizado, porém, ainda sim, poucos foram os que entenderam, de maneira que a consequência foi o recebimento de uma produção de insultos; todos devidamente deletados.
Embora eu tenha recebido alguns elogios e algumas críticas legais, é de lamentar o nível civilizatório e intelectual da maioria, aquela que precisamente me vituperou como bem é sabido. Tenho consciência de que o tema é delicado, tentei ser circunspecto ao máximo, porém infelizmente a grande maioria não possui o mínimo dos pré-requisitos para um debate sadio. Dentre os erros, vi gente confundindo etimologia com significado, escrevendo etimologia com "t" mudo, talvez, se me permitem a piada, por influência da palavra etnocentrismo, e outros detalhes mais.
Em suma, devido ao analfabetismo funcional de diversos professores e à incapacidade de muitos na averiguação diacrônica da língua, faz-se impossível a abordagem de um tema mais complexo, cuja presença de holofotes é gritante. Dito isso, evitarei perambular por pautas mais amplas, haja vista que voltarei a me limitar à divulgação dos étimos dos vocábulos. Às vezes, por pura bondade e ingenuidade, tenho a esperança de que serei compreendido. Que erro!
Daniel Muzitano

terça-feira, 26 de maio de 2020

A culpa é do café vespertino

O latim mutatis mutandis, que pode pormenorizar o que ocorre com o vocábulo sucesso no espanhol e no português, diz-se de dois fatos que, com pequena alteração das circunstâncias, são notoriamente iguais. De antemão, a explicação será transitória, todavia com demasiado fulgor.
Visto no português como um "resultado positivo" por boa parte dos brasileiros, o sucesso, grafado na Espanha com um "s", designa tão-somente um acontecimento, mais das vezes de cunho ruim. Entrementes, levando em conta seus direcionamentos divergentes, ambos partiram da mesma lógica, a de algo que se sucedeu, que aconteceu.
Assim, promulga a Real Academia Espanhola: "Cosa que sucede, especialmente cuando es de alguna importancia". Ao mesmo encontro, ressalta o Priberam: "Aquilo que sucede, que acontece". Resumindo, deparei-me com o sucesso na aula de espanhol, comparei as evoluções e, por fim, usei a expressão mutatis mutandis para apontar a relação. Definitivamente, aos olhos do mundo, não sou um homem normal. Porém, a culpa é do café vespertino.
Daniel Muzitano



segunda-feira, 20 de abril de 2020

O farisaísmo dos sócios da quarentena

Pretexto por agora de ociosos tantos, a quarentena, em seu propósito inicial, bem continha o discurso piegas de que preservava a vida e o bem-estar da população. Eis senão quando, hoje bem a vejo que muitos a tratam como um sinônimo parvo de férias, uma espécie de seguro-desemprego absolutamente descabido, e que muito me deixa espaventado e exasperado.
De mais a mais, o suposto bem-estar e a suposta preservação da saúde, considerando notícias de bancarrota de grandes empresas, demissões em massa, desculpa para soltar bandidos etc, não mais são lógicos. Não por acaso, o latim tem a expressão lata culpa, que remonta à acepção de negligência excessiva, por sua vez solevantando que a irresponsabilidade dos sócios da quarentena será nitidamente cara.
Por fim, no transitar dos tempos, di-lo-ei que achei meu propósito de vida, portanto, as correções, as transcrições, as aulas: quefazeres que hoje, devido à realidade produzida pelos sócios do terror, não mais fazem parte do meu vezo. Em suma, antes alguns mortos de corona a todos de fome. Com isso, precisamos trabalhar e enfim mostrar a indignação aos falsários de plantão.
Daniel Muzitano

quarta-feira, 18 de março de 2020

Vamos propalar cultura?

Exaurido das palurdices atinentes ao coronavírus e propagadas pelos pseudointelectuais redes sociais afora, resolvi não mais discutir solecismos acerca do tema, bem como qualquer argumento non sequitur, de maneira que a etimologia, pelo menos a meu ver, é um assunto mais importante e mais interessante.
Nesse sentido, estive a rememorar o étimo do verbo pagar. Assim, pelo consenso de todos, ou omnium consensu, pagar nasce da palavra latina pacare, ou seja, apaziguar. Com isso, inicialmente, no momento em que o sujeito pagava, abrandava por sua vez a fúria do credor.
Demais disso, um termo outro que adquiriu uma evolução pouco trivial foi o substantivo palestra, do grego palaístra, qual seja, lugar onde eram realizados exercícios físicos, lutas, instruções verbais e embate de ideias; daí, logo, a acepção de conferência sobre determinado assunto. Em vez de dramas infantis, vamos propalar cultura.
Daniel Muzitano

sexta-feira, 13 de março de 2020

Acordo de somenos


Ainda que eu já tenha enfatizado o meu amplo contempto pelo Novo Acordo, sempre que ouço ou leio a expressão pai dos burros, estua em mim uma espécie de crítica interna, de maneira que me sinto no dever de proliferar meu extremo descontentamento. Antes de vir à tona o abjeto Acordo e de ele estiolar a nossa alma, havia uma distinção entre pai dos burros, literalmente pai dos burros, e o pai-dos-burros devidamente hifenizado, fazendo as vezes de dicionário. Conseguintemente, não havia qualquer possibilidade de ambiguidade em construções quaisquer.

De mais a mais, nota-se que os "sábios" da nova regra rejeitaram, impreterivelmente, as funções primordiais do hífen, isto é, extirpar ambiguidades e/ou produzir um novo sentido, um novo corpo, mediante dois ou mais termos. Para tanto, vale lembrar de que hífen deriva do grego hýphen, logo, um só corpo. Com isso, a fim de esmiuçarmos a necedade do novo texto, cujo pai é o falecido Antônio Houaiss, vamos a um exemplo: "o pai dos burros faleceu".  

Refiro-me ipsis litteris (literalmente) ao pai dos burros ou ao dicionário? Graças ao Novo Acordo, pois bem, não conseguimos ter essa ciência. Em síntese, batizo o Novo Acordo, sem ter o intento da crítica gratuita, de delirium tremens, expressão de origem latina e que é compreendida como delírio de um alcoólatra. Delírio de um alcoólatra é uma belíssima anadiplose para findarmos esse texto heroico; palavra, logo, que deixou de ter importância, afinal, também graças ao Novo Acordo, perdeu sua vida, seu respectivo acento. Hasta pronto

Daniel Muzitano  

quarta-feira, 4 de março de 2020

Por que ninguém comenta sobre Queísmo e Dequeísmo?

Conquanto se façam presentes cotidianamente na linguagem popular, há um lapso iniludível dos vocábulos citados nesse título, sobretudo em conjunturas acadêmicas, de modo que estudiosos da área de Letras não exortam a investigação das práticas de queísmo e de dequeísmo. Nesse comenos, vale propalar que tão-somente o Michaelis e o Volp, em relação aos dicionários on-line, promulgam os respectivos substantivos cá aludidos.
Dessa forma, consoante o Michaelis, queísmo seria a "omissão da preposição "de" antes da conjunção subordinativa integrante "que", quando, pela regência do verbo, na linguagem padrão, ela é exigida". Assim, não é incomum ouvirmos na rua, por exemplo, que "fulana gosta que fale dele". Grosso modo, quem gosta, gosta de, isto é, o apropriado seria dizer "fulana gosta de que fale dele".
A bem da lógica, o queísmo é o equívoco regencial que enfatiza o "que" e rejeita o "de", embora a preposição seja solicitada pelo verbo. Quanto ao dequeísmo, também de acordo com o Michaelis, é classificado como "emprego da preposição "de", sem função sintática e dispensável, antes da conjunção "que", em determinadas orações.
Pari passu, seria como dizer algo do tipo "percebo de que fiz isso". Em suma, eu não percebo de algo, e sim algo. Em outras palavras, o dequeísmo é um solecismo regencial que dá ênfase ao "de", ainda que o verbo não o peça. Fôssemos um país decente, queísmo e dequeísmo estariam em nossa base curricular. Porém, na cabeça de alguns, o barato é o culto às necedades do Novo Acordo. Eu faço a minha parte. Uma boa-noite a todos.
Daniel Muzitano